Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Setembro de 2014

País

Após acordo com rodoviários, empresas esperam reajuste da tarifa no RS

Portal Terra

Após o acordo firmado entre rodoviários e empresas de ônibus de Porto Alegre nesta segunda-feira, em audiência mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4), o sindicato patronal afirmou que espera que a tarifa do transporte público seja reajustada pela prefeitura. Segundo o Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa), o aumento salarial previsto no acordo com a categoria demandará uma "atualização dos custos" das empresas.

O reajuste, porém, dependeria da apresentação do relatório feito pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que analisou desde o início do ano passado o sistema de transporte do município e deve ser votado pela corte no próximo dia 12. "Houve um compromisso com a prefeitura de que, no dia 13, depois da apresentação do relatório do Tribunal de Contas, haveria a possibilidade de um recálculo da tarifa dos ônibus. A nossa expectativa é de que haja uma atualização dos nossos custos", afirmou Luiz Mário Magalhães Sá, gerente-executivo do Seopa e da Associação de Transportadores de Passageiros (ATP).

Pelo acordo assinado no TRT, os rodoviários receberão um aumento real de 7,5% em seus salários, além de reajuste de R$ 3 no vale refeição - que passa de R$ 16 para R$ 19 diários. Além disso, a contribuição dos funcionários para os planos de saúde foi reduzida de R$ 40 - segundo a proposta inicial das empresas - para R$ 10. O acordo, entretanto, depende de aprovação em assembleia prevista para ocorrer às 8h, no ginásio Tesourinha.

Se o acordo for aprovado em assembleia, os ônibus voltariam a circular a partir das 12h de terça-feira, ampliando gradativamente o serviço até as 16h, quando 70% da frota deve estar nas ruas. Este percentual é válido até quinta-feira, prazo estipulado para o fim das negociações entre empresas e rodoviários.

Na opinião de Magalhães Sá, o acordo é benéfico à população porto-alegrense, que voltará a ser atendida pelos ônibus. "Todo acordo é uma cedência. Nós cedemos e os rodoviários também cederam. No fim, quem sai ganhando é a população", afirmou.

Integrante da comissão de rodoviários presente à audiência, Alceu Weber evitou fazer prognósticos quanto à aceitação do acordo na assembleia da categoria. Entretanto, Weber acredita que a proposta encaminhada foi a melhor possível até o momento. "Entre o péssimo e o ótimo, nós conseguimos o razoável", disse. O rodoviário ressaltou que, caso a assembleia não aceite o acordo, o movimento "volta à estaca zero". "Toda a negociação regride a zero, inclusive nos pontos que a gente conseguiu um avanço."

Responsável pela mediação da audiência, a desembargadora Ana Luiza Heineck Kruse, vice-presidente do TRT-4, destacou a importância do acordo firmado nesta segunda-feira. "O tribunal nunca enfrentou uma situação tão difícil, com tantos fatores a serem levados em conta", disse.

A greve dos rodoviários foi decidida em assembleia dia 23 de janeiro e começou no dia 27 de janeiro, com os trabalhadores colocando 30% da frota na rua. No dia seguinte, a Justiça determinou que 70% dos ônibus estivessem nas ruas nos horários de pico, o que levou o sindicato a descumprir a decisão e tirar todos os veículos de circulação.

Na última quinta-feira, um acordo provisório foi firmado entre sindicalistas e empresas de ônibus para que parte dos veículos retornasse às ruas por 10 dias, mas os rodoviários decidiram continuar com a greve total. Diante disso, a prefeitura anunciou, no último sábado que, como medida emergencial, as vans escolares estão autorizadas a atender as áreas mais carentes de transporte público desde essa segunda-feira.

Tags: capital, gaucha, justiça, paralisação, rodoviários

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