Jornal do Brasil

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

País

RS: vans e ônibus particulares operam linhas para áreas distantes do centro

Portal Terra

Com os rodoviários em greve, Porto Alegre viveu neste domingo um feriado de Navegantes, quando deveria ocorrer passe livre, sem ônibus de linha. Para minimizar os efeitos e abastecer o transporte de devotos que precisavam se deslocar das áreas mais remotas da cidade, transportes alternativos entraram em cena.

Algumas vans escolares já circulavam hoje pela cidade, antecipando a medida anunciada nesse sábado pela prefeitura como solução temporária emergencial para a falta de transporte público. Na avenida Borges de Medeiros, a van escolar de Sandra de Lima estava estacionada por volta das 11h30 à espera de passageiros na sua linha improvisada entre o centro e a Restinga, bairro do extremo da zona sul, a cerca de 20 km do centro de Porto Alegre.

“Disseram que devíamos trabalhar na zona onde já estamos acostumados a trabalhar, então optei por uma zona que eu conheço”, contou Sandra, que há três anos trabalha no transporte escolar atendendo alunos e escolas da Restinga, região onde conhece bem o trajeto, a população e as necessidades de transporte. Ela contou que, sem contato direto da prefeitura ou com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), obteve as orientações diretamente com o Sindicato dos Proprietários de Transporte Escolar (Sintepa).

Hoje, Sandra começou o trabalho às 6h30, e pretende ir até as 23h. Na segunda-feira, ela sairá às ruas já às 5h. “Olha, para mim é até gratificante, porque estava terrível para a população”, conta ela, que estimou ter transportado cerca de 50 passageiros até o meio-dia.

Das 617 vans escolares de Porto Alegre, o Sintepa estima que 80% estejam aptas a suprir a carência de transporte público durante a greve dos rodoviários. “As aulas já iam começar, então eu já estava pronta para trabalhar”, respondeu Sandra quando questionada sobre sair para trabalhar quando poderia estar descansando. Pouco depois de estacionar no centro, Cida Clavelin, 53 anos, e Vitória, 11, comemoram que a van de Sandra iria para a Restinga.

Suando, tomando água e descansando no ar condicionado da van, Cida contou que veio ao centro de carona para participar da procissão de Navegantes, e que normalmente faria todo o trajeto de ônibus. “Amanhã que eu quero ver...”, disse, pessimista, sobre mais um dia útil sem ônibus de linha na cidade. "Para nós duas já dá R$ 8,40", disse, referente a duas passagens de R$ 4,20 - preço determinado para as vans, idêntico ao cobrado nos táxi-lotação da cidade.

"Linha freelance"

No entanto, mesmo com os rodoviários em greve, nem todas as linhas de ônibus deixaram as ruas da cidade. Na avenida Salgado Filho - não longe do ponto improvisado de Sandra, onde há inúmeras paradas de coletivos que transitam diariamente pelo centro de Porto Alegre - um ônibus da empresa Teka Transportes recebia passageiros.

Dois funcionários chamavam passageiros informando que o ônibus passaria pelo Carrefour e pela avenida Bento Gonçalves até chegar ao bairro da Lomba do Pinheiro, no limite municipal leste de Porto Alegre. O trajeto percorrido pelo coletivo da Teka é o trajeto da linha Pinheiro 398, uma linha oficial de Porto Alegre. O preço cobrado hoje era R$ 3 - contra os R$ 2,85 das linhas oficiais.

Um dos motoristas revelou que é funcionário da STS - uma das companhias privadas que operam o transporte público em Porto Alegre - há dois anos. Além disso, faz trabalho de freelance na Teka há seis. Ele afirmou que ganha por serviço diário - o que depende do número de passageiros, mas fica entre R$ 100 e R$ 150.

“Na realidade, é uma necessidade (fazer este freelance). A empresa não vai efetuar o pagamento dos salários até o fim. A gente tem que trabalhar de alguma forma, porque tem família pra sustentar", conta ele. "Até resolver situação, ficamos refém dos patrões. Os patrões estão muito quietos e coniventes."

Segundo o rodoviário, a linha improvisada do Pinheiro está nas ruas desde pelo menos o final da semana passada; são feitas em torno de sete ou oito viagens por dia, o que resulta em cerca de 600 passageiros transportados. “Não tenho medo (de ser acusado de furar a greve), pois meu atenuante é que eu tenho que sustentar minha família. Uma coisa é furar a greve e desrespeitar meus colegas, outra coisa é ter que trabalhar, prestar um 'serviço à população', entre aspas, pois estou ganhando dinheiro, porque preciso dele." 

O Terra optou por não identificá-lo para evitar retaliações. Por telefone, um representante da Teka informou que a própria população da Lomba do Pinheiro foi à empresa pedir que um ônibus fosse disponibilizado para suprir a carência de transporte público. 

Tags: feriado, greve, navegantes, rodoviários, transporte

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