Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

País

DF: 600 manifestantes levam flores a mãe de vítima da violência

Portal TerraDiogo Alcântara

Diante de um quadro de violência urbana que vem assustando moradores do Distrito Federal, um grupo de manifestantes decidiu fazer um protesto em frente a residência oficial do governador Agnelo Queiroz. O protesto, marcado por uma rede social e com mais de 3 mil confirmações até o início da manhã, teve início em frente ao prédio onde vivia Leandro Almeida, 29 anos, morto a tiros na última quinta-feira quando chegava em casa, no bairro de Águas Claras. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 600 manifestantes participaram do ato, que seguiu depois em marcha até a casa do governador.

Apenas no primeiro mês de 2014, o número de mortes violentas chegou a 73, sendo 68 homicídios e cinco latrocínios. A média é de 2,4 casos por dia. Os ataques contra a vida superam em 37,7% a quantidade registrada no mesmo período de 2013. Parte do aumento da violência é atribuída por Agnelo a uma Operação Tartaruga que estaria em curso pela Polícia Militar do DF. Ontem, ele realizou duas reuniões com a cúpula da segurança pública do DF e saiu delas com a promessa de que a Operação Tartaruga dos policiais e bombeiros militares chegou ao fim.

O compromisso firmado pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Anderson Carlos de Castro Moura, é de que os militares, inclusive coronéis e comandantes, trabalharão todos os dias até que a corporação restaure a ordem nas ruas do DF. Segundo ele, todos os policiais que participaram da Operação Tartaruga, instaurada há dois meses, passarão por um procedimento disciplinar, podendo ser punidos com advertências e até mesmo demissão do cargo em que ocupam. Até o momento, foram identificados cinco policias, entre oficiais e praças.

O coronel da PM Roberto Miguel Bulart, acompanhando a manifestação, negou que haja a paralisação: "Não há Operação Tartaruga, são alguns policiais pseudo-representantes da corporação falando ou tentando falar em nome da corporação, a qual não representa. Mais de 90% da corporação está na rua trabalhando e nós, do alto comando da Polícia Militar, estamos aqui para motivar todos os poiliciais a trabalhar". Segundo ele, as reivindicações, "as nossas demandas represadas, em outro momento devem ser colocadas à mesa de negociação".

O caso de Leandro foi um dos com maior repercussão no cenário recente de violência. Os manifestantes decidiram passar em frente ao prédio do jovem, a 20 quilômetros do Plano Piloto (área central de Brasília) para oferecer rosas a sua mãe, Ana Cleide, antes de seguirem rumo à residência oficial do governador, localizada no mesmo bairro.

"Eu não quero que jovens que planejam o futuro terminem dessa forma que meu filho terminou. Meu filho tinha sede de viver. Ele se alegrava com um dia de sol, se alegrava com o trabalho, se alegrava com os amigos... Então eu não quero que essas vidas sejam cada vez mais jogadas no asfalto, como meu filho foi", desabafou a mãe do rapaz.

Tags: Agnelo, Governador, mortes, protesto, rede, SOCIAL, violentas

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