Jornal do Brasil

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

País

Manifestante baleado em SP é ouvido pela Corregedoria da PM

Portal Terra

Oficiais da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo tomaram nesta sexta-feira o depoimento do estudante Fabrício Proteus Nunes Fonseca Mendonça Chaves, 22, no Hospital Santa Casa. Ele foi baleado por PMs no final de semana passado no bairro de Higienópolis, área central da capital paulista, após uma manifestação contra a Copa do Mundo e que terminou em confronto entre policiais e manifestantes.

Segundo a PM, o jovem foi baleado depois de uma suposta tentativa de atingir um policial na Rua Sabará. Os três policiais que realizaram a abordagem –a qual resultou em dois tiros que feriram Chaves com gravidade –e que têm a conduta investigada pela Corregedoria ainda levaram a vítima ao hospital. A iniciativa afronta diretamente determinação de janeiro do ano passado da Secretaria de Segurança Pública do Estado segundo a qual PMs estão proibidos de socorrer suspeitos baleados.

O depoimento de Chaves foi acompanhado pelo defensor público Carlos Weis, conforme o qual o jovem “seguiu no mesmo sentido do que vinha afirmando, mas com muito mais detalhes que jogaram luz sobre o que aconteceu”. Weis evitou detalhes sobre as declarações alegando que isso poderia afetar o Inquérito Policial Militar, que é reservado, sobre os três PMs. “Foi dada uma compreensão muito mais clara dos fatos”, resumiu.

Na última terça-feira, Chaves depôs ainda internado –o jovem segue na enfermaria depois de ter recebido alta da Unidade de Terapia Intensiva –e disse que reagiu com um estilete apenas após ter sido baleado por policiais militares que o perseguiam no último sábado, após o protesto. Ele foi ouvido por três delegados que acompanham o caso.

Nessa quinta, o defensor pediu à Polícia Civil, por meio do 4º Distrito Policial (Consolação), que um novo depoimento do rapaz seja colhido, e o anterior seja considerado sem valor. A alegação é que, medicado em função de fortes dores, Chaves não reunia “condições físicas e mentais adequadas” para ser ouvido.

“Quando ele foi ouvido, fazia dois dias que ele havia sido internado, perdido quatro litros se sangue e passado por quatro cirurgias, ainda sob risco de morte. Além disso, voltava de uma sedação profunda e demorada”, disse o defensor.

Conforme Weis, foi pedido hoje à Santa Casa que informe a quais medicamentos Chaves estava submetido no dia em que depôs, bem como se eles comprometem as condições físicas e mentais do paciente.

“Não é pelo conteúdo do depoimento que pedimos que ele seja invalidado, mas pelo todo: para a investigação seguir seu rumo correto, tem que ser algo lúcido”, defendeu Weis.

Jovem será ouvido quando tiver alta, diz delegado

O delegado-adjunto do 4º DP, Luciano Pires, afirmou que Chaves deverá ser ouvido novamente “assim que receber alta”. “O inquérito ainda está no começo; ouvimos policiais e outras testemunhas do caso e muita gente ainda precisa ser ouvida”, resumiu o policial, que não quis citar quem serão ou foram intimados a depor.

Indagado sobre o pedido protocolado ontem pelo defensor, alegando necessidade de nova oitiva, o delegado-adjunto disse desconhecer a medida.

Além de Chaves, a manifestação do dia 25 de janeiro teve outros 130 manifestantes detidos e dois jornalistas agredidos.

Tags: Atos, protestos, ruas, SP, vandalismo

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