Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

País

Após chacinas, PM diz que não há milícias em Campinas

Portal Terra

O comandante do 47º Batalhão da Polícia Militar do Interior de Campinas, coronel Carlos de Carvalho Júnior, afirmou nesta quinta-feira que não há indícios de formação de grupo armado atuando nas comunidades no município. "Não há milícias, não temos notícias disso", afirmou, em entrevista coletiva nesta tarde. Foi neste batalhão que a Corregedoria da Polícia Militar, em conjunto com a Polícia Civil, prendeu na tarde de ontem cinco policiais. A prisão é temporária por 30 dias.

A acusação contra os soldados é de envolvimento nas 12 mortes em série ocorridas entre a noite do dia 12 e madrugada do dia 13 de janeiro. Eles foram encaminhados nesta madrugada ao presídio Romão Gomes, em São Paulo, local de detenção de policiais.

As chacinas ocorreram na região dos bairros do Ouro Verde. As vítimas foram alvejadas com mais de um tiro na cabeça e tórax. A primeira morte foi às 20h30 do dia 12. Depois, quatro pessoas morreram no Recanto do Sol. A seguir, houve outra vítima no Parque Universitário, outra no Jardim Vista Alegre, e quatro no Vida Nova. 

Dois feridos na madrugada teriam registrado boletim de ocorrência apenas 48 horas após os fatos. "Não foi um final de semana comum. A noite foi atípica, muito tumultuada. Não é comum deixar de registrar (os boletins)", disse o comandante. Três dias depois, um rapaz de 17 anos foi a óbito. A polícia apura se a morte dele tem relação com as chacinas.  

O nome dos policiais não foram divulgados. Segundo a polícia, durante ao cumprimento dos mandados foram recolhidos um computador, uma arma 380 e projéteis deflagrados. "Nós não compactuamos com essa conduta e não toleramos nenhum desvio deste tipo", disse o comandante, que estava ao lado do secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella.

"Viemos aqui dar uma resposta sobre isso (assassinatos e prisões dos policiais)." Para o secretário, ainda é prematuro sustentar que os acusados cometeram os crimes. Segundo ele, as prisões vão permitir que as investigações evoluam. "Mas não podemos dizer que são culpados, temos muito que apurar ainda", disse. "Desde a ocorrência dos fatos, as investigações estão transcorrendo de forma ininterrupta", afirmou.

Grella disse também que não pode adiantar, mas não afastou a possibilidade de haver outras detenções. No investigação, cerca de 60 pessoas foram ouvidas, entre policiais, familiares e vizinhos de vítimas.

Tags: grella, interior, massacre, policiais, SP

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