Jornal do Brasil

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

País

Campinas: suspeito de matar PM não saberia que vítima era policial

Portal Terra

A Polícia Civil de Campinas apresentou nesta segunda-feira os dois acusados de participação na morte do policial Arides Luis dos Santos, 44 anos, ocorrida em 12 de janeiro. Gullit Fernandes de Oliveira, 22 anos, foi transferido para Campinas no final de semana, depois de ser preso por policiais de Minas Gerais e São Paulo. 

Ele é apontado como o autor do único disparo que atingiu a cabeça do policial em um posto de combustível. O rapaz estava escondido na casa dos avós em uma comunidade rural  na cidade de Espinosa, norte de Minas Gerais, na divisa com a Bahia. 

O outro rapaz é um adolescente de 17 anos que também estava refugiado na casa de parentes na Bahia. Ele se entregou nesta manhã  acompanhado de sua mãe e será entregue à Vara de Infância e Juventude.

Em entrevista coletiva, o diretor do Departamento de Policia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter 2), delegado Licurgo Nunes Costa, afirmou que o acusado confessou que atirou no policial para se defender. "Os dois roubaram uma motocicleta, aquela usada no crime. Eles eram amigos, moravam no mesmo bairro. Quanto ao policial, Gullit e o outro disseram que não o conheciam", disse o delegado.

Para o diretor do Deinter 2, a autoria do latrocínio está concluída com a prisão do rapaz e apreensão do menor, que no momento da ação conduzia a motocicleta roubada. O delegado disse que Gullit já tinha sido preso por roubo em Campinas. Foi pedida sua prisão preventiva por 30 dias.

"Ele disse que não conhecia e não sabia que o homem era um policial. Falou que não tinha a intenção de matar, que atirou para se defender", falou. 

O Corpo de Bombeiros de Campinas fez uma varredura em um córrego que corta a região do Distrito Industrial de Campinas, apontado pelo rapaz como local onde ele jogou o revólver calibre .38 usado no crime. A arma ainda não foi encontrada.  

Chacina

O diretor do Deinter 2 disse que a polícia não fechou o inquérito e apura a autoria das 12 mortes horas após o registro da morte do policial, na tarde de 12 de janeiro. Os 12 corpos foram encontrados em cinco bairros da região do Ouro Verde em Campinas.

As mortes de homens com idade entre 17 a 30 anos, com mais de um disparo de armas calibre .38 e 9 milímetros, aconteceram horas após a do policial Arides. 

Para o delegado, ainda não há uma linha de investigação e todas as hipóteses dos crimes estão sendo apuradas. "Nós recebemos diariamente, por todas as linhas de telefones da polícia, denuncias aqui e acolá, e estamos apurando", afirmou.

A participação da Polícia Militar também está sendo investigada a partir de informações de testemunhas e familiares. "Já ouvimos 52 pessoas, inclusive policiais, e talvez tenhamos que ouvir mais pessoas. A motivação pode ser tudo: vingança, briga entre quadrilha, nada está sendo dispensado", disse. 

O diretor do Deinter 2 garantiu que está recebendo a colaboração da Polícia Militar. Os militares que trabalharam no plantão daquele final de semana já se apresentaram e entregaram as armas para perícia. 

Tags: . sp, Chacina, interior, investigação, polícia

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