Jornal do Brasil

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

País

Vítima da tragédia da Kiss diz que passou a "valorizar a vida"

Agência Brasil

O incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria (RS), o segundo maior do país em número de vítimas – 242 mortos -, completa, amanhã (27), um ano. Mesmo com o tempo, os moradores demonstram cotidianamente a necessidade de manter viva a tragédia que passaram. Fotos, cartazes, faixas e flores, são colocadas permanentemente na porta onde da casa noturna, em uma clara demonstração da saudade e da história das vítimas. Curiosos param para olhar e fotografar o local. Em silêncio por alguns instantes, o turista de São Paulo, que não quis se identificar, disse que não é possível dissociar a imagem de Santa Maria da Boate Kiss.

A lembrança é frequente para a sobrevivente Angélica Sampaio, que foi com um grupo de oito amigos à festa. Com algumas cicatrizes nos braços por ter 8% do corpo queimado, a jovem ficou 22 dias internada, em coma, devido a inalação da fumaça tóxica. Hoje, além das marcas nos braços, tem problemas respiratórios, mas faz fisioterapia respiratória e dermatofuncional, por causa das queimaduras. Religiosa, ela conta que é dolorido lembrar, mas é necessário olhar de outra maneira: “precisamos pedir justiça, mas estamos aqui, vivos, então temos que valorizar a vida, aproveitar de outro modo”.

Kellen Ferreira, 20 anos, estudante de terapia ocupacional na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
Kellen Ferreira, 20 anos, estudante de terapia ocupacional na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

A estudante de terapia ocupacional, Kelen Ferreira, que estava na Kiss com duas amigas, tenta voltar à rotina. Com 18% do corpo queimado, a jovem tem marcas nos braços e usa uma prótese na perna direita. No acidente, ela foi arrastada, mas a sandália ficou presa e estrangulou o tornozelo. O resultado foi uma necrose e, em seguida, a amputação, o que a sobrevivente considera uma das piores consequências da tragédia.

Hoje, ela faz fisioterapia respiratória e motora, além de terapia ocupacional. Ao falar sobre o incêndio, a jovem pede justiça e punição aos envolvidos, mas olha para o futuro. Após 78 dias internada, ela disse que vê “a vida de forma diferente. Dou mais valor para minha família, meus amigos. Estou recomeçando a cada dia. A gente tem que continuar a viver”.

Tags: boate, brasil, Fogo, kiss, Tragédia

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