Jornal do Brasil

Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

País

Sobreviventes de tragédia argentina sofrem sequelas após quase 10 anos

Portal Terra

No dia 30 de dezembro deste ano, o incêndio que matou 194 pessoas, na boate Cromañon, em Buenos Aires, completa 10 anos. Mas mesmo depois de tanto tempo, os mais de 4 mil sobreviventes ainda lutam contra as sequelas físicas e mentais, apesar da justiça já condenar os responsáveis pela tragédia, responsabilizando inclusive funcionários públicos, além do surgimento de uma legislação mais segura e que defina os responsáveis.

"Sem justiça, as famílias e sobreviventes não conseguem superar o que aconteceu... porque volta e meia volta (o trauma). Minha filha de vez em quando sente alguma coisa, ela ficou dois anos afastada, hoje é médica cardiologista, e me liga quando isso acontece... é uma coisa que faz parte da vida dessas pessoas, que elas não vão esquecer, que vão carregar pelo resto da vida", afirma a coordenadora de saúde da organização Segurança para a Família Cromañon Nunca Mais, Lila Tello, dizendo que as sequelas psicológicas fizeram com que 16 dos sobreviventes tirassem a própria vida. 

Além dos traumas psicológicos, a exposição ao monóxido de carbono e ao cianeto ainda provocam problemas de saúde. "Os sobreviventes ainda sofrem com as sequelas, fazem raio-x periódicos, porque o monóxido sai depois de dois meses, mas o cianeto se acumula no corpo por anos e traz problemas renais e pulmonares", explica Lila.

Mesmo superando as mazelas físicas e psicológicas, os sobreviventes ainda tem que lidar com os preconceitos sociais, uma vez que são vistos como pessoas com problemas, o prejudica que consigam trabalho ou que consigam dar prosseguimento à vida. 

"Minha filha passou a ter fobia de lugares grandes, por isso, teve que estudar em uma universidade privada, menor, onde se sentia melhor", conta Lila, relatando ainda que "ninguém dá trabalho para os sobreviventes da Cromañon, porque sabem dos problemas psicológicos...  o terror ainda persiste, o que prejudica que essas pessoas prossigam com suas vidas", completa.

As famílias e sobreviventes lutaram por anos para conseguir a tão desejada Justiça, Lila, assim como familiares da Kiss, reclama do corporativismo dos gestores públicos, que acusa de terem tentado se esquivar da responsabilização. Até agora, três funcionários públicos foram presos, outro sub-comissário (algo como um delegado) foi responsabilizado, dois chefes do corpo de Bombeiros foram presos, o dono da boate foi condenado a cinco anos de prisão, mas ainda recorre da sentença junto a cortes superiores em liberdade, o responsável pelo evento também foi preso e condenado a 18 anos, além da prisão dos músicos da banda. 

"Na Argentina ser luta muito pelos direitos humanos das vítimas da ditadura, mas oq eu aconteceu também é uma questão de direitos humanos, eram jovens que saíram para se divertir", afirma. 

Tags: boate, brasil, Fogo, kiss, Tragédia

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