Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

País

Consultor diz ter pago US$ 250 mil para ex-diretor da CPTM

Portal Terra

O consultor Arthur Teixeira afirmou, em depoimento dado ao promotor Valter Santim em dezembro de 2013, que pagou na Suíça US$ 250 mil para o ex-diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) João Roberto Zaniboni. Segundo Teixeira, o dinheiro era um pagamento para serviços de consultoria. Para o Ministério Público, porém, os recursos foram usados para o pagamento de propina. As informações são do Jornal Nacional. 

Teixeira é suspeito de pagar propina a agentes públicos no suposto esquema de cartel denunciado em 2013 pela empresa alemã Siemens. Segundo as investigações, ele era o elo entre as empresas que fariam parte do cartel e agentes públicos.

De acordo com a denúncia apresentada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pela Siemens, o cartel teria envolvido 19 empresas e funcionado entre 1998 e 2008, em São Paulo e no Distrito Federal, durante gestões de políticos do PSDB e DEM, respectivamente. 

A investigação aponta que o dinheiro da propina passava por contas de Teixeira na Suíça e no Uruguai. Ele afirmou que tinha duas contas nas Suíça e que elas foram encerradas há muitos anos.

Os promotores investigam a versão do consultor a respeito das contas. O MP listou 13 contas na Suíça em nome de empresas cujo principal beneficiário é Teixeira. 

Teixeira negou que fosse lobista e que tenha pago propinas. A defesa do consultor nega que ele seja o dono das contas apontadas pelo MP como de sua propriedade. 

Segundo o jornal, em seu depoimento, Teixeira negou participação do senador tucano Aloysio Nunes (SP) no esquema, e afirmou que a participação do hoje secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo Jurandir Fernandes no acompanhamento de reuniões de empresas e diretores da CPTM era normal. 

Teixeira afirmou ainda que participou de um jantar de campanha do deputado federal licenciado do PSDB e hoje secretário de Energia de São Paulo, José Anibal. Segundo ele, esta foi a única contribuição feira para a campanha. Nenhuma empresa relacionada ao cartel teria contribuído com a campanha do tucano.

Teixeira disse ainda que conhece superficialmente Edson Aparecido, hoje secretário-chefe da Casa Civil de São Paulo, e o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP) e que não tratou com eles assuntos do setor de metrô e trens.

Jurandir Fernandes afirmou que e que só se encontrou com Teixeira em reuniões do setor. José Anibal e Edson Aparecido afirmaram ter visto o consultor apenas em eventos públicos. 

Arnaldo Jardim afirmou que se encontrou com Teixeira em eventos do setor, mas não manteve qualquer relação comercial com ele. Aloysio Nunes Ferreira disse que sua relação com o consultor foi profissional.

Tags: cartel, investigação, propina, siemens, SP

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