Jornal do Brasil

Domingo, 20 de Abril de 2014

País

Estudantes do Rio trocam experiências com alunos de faculdade descredenciada

Agência Brasil

Há quatro meses, estudantes da Faculdade Alvorada, em Brasília, passaram por situação semelhante à que enfrentam hoje os alunos da Universidade Gama Filho e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), no Rio de Janeiro: viram a instituição em que estavam matriculados ser descredenciada pelo Ministério da Educação (MEC) e foram transferidos para outros estabelecimentos. Com o processo, alguns estudantes perderam o semestre. Outros não ficaram satisfeitos com as instituições selecionadas para a transferência assistida e optaram por pedir a própria transferência.

O caso é citado como exemplo negativo pelos alunos da Gama Filho e da UniverCidade, administradas pelo Grupo Galileo. Os estudantes temem que a transferência assistida não lhes dê respaldo e pedem a federalização das instituições. Em Brasília, hoje (13), uma turma das universidades do Rio conversou com alunos da Faculdade Alvorada para trocar experiências. Eles planejam fazer juntos um vídeo para que o que ocorreu na Faculdade Alvorada seja compartilhado com os alunos das instituições com sede no Rio de Janeiro.

"Discutimos hoje o que de fato aconteceu com eles. O MEC apresenta uma coisa, e eles dizem outra", disseram os estudantes. Segundo eles, apenas a metade da transferência assistida foi concluída. Quem conseguiu vaga foi quem fez o processo por conta própria", afirmou o diretor de Universidades Privadas da União Nacional dos Estudantes (UNE), Mateus Weber. "Vamos gravar e passar isso para o pessoal do Rio e pedir uma solução. Desde o início, dissemos que não queríamos o descredenciamento."

A Agência Brasil conversou com o estudante de jornalismo Francisco Coelho da Silva, integrante da comissão de ex-alunos da Faculdade Alvorada, que além de viver a situação, acompanhou de perto a dos colegas. Ele estava no 5º semestre do curso, quando a faculdade foi descredenciada. Hoje estuda no Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb).

“Com o descredenciamento, optei por não participar do processo de transferência assistida. Eu e alguns alunos formamos um grupo que negociou diretamente com outra instituição. Tínhamos medo de demorar muito. Perdemos um mês de aula, mas teve gente que participou da transferência assistida e perdeu o semestre.”

Outras dificuldades apontadas pelo estudante foram a localização e os preços das instituições nas quais os estudantes foram recebidos. A Faculdade Alvorada localizava-se no Plano Piloto, área central de Brasília. Alguns estudantes foram transferidos para instituições em cidades satélites do Distrito Federal.

Francisco tem bolsa integral do Programa Universidade para Todos (ProUni) e o benefício foi mantido na nova instituição. No caso dos colegas que não tinham o benefício, as mensalidades aumentaram, ressaltou o estudante. “A maioria das outras faculdades tem mensalidades bem acima das que a Alvorada cobrava. Segundo ele, as mensalidades da Alvorada eram "acessíveis", com média de R$ 480. "As novas instituições cobram, em média, R$ 700”, informou.

O MEC rebate as críticas, lembrando que a Alvorada foi descredenciada em setembro e o edital de transferência assistida, concluído em 21 dias. Com o edital, foram transferidos 70% dos alunos. No entanto, o MEC admite que estudantes de algumas turmas foram alocados em novembro.

O secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Jorge Messias, ressaltou que o processo da Alvorada foi feito durante o semestre letivo, o que ocasionou a perda das aulas. Já o da Gama Filho e UniverCidade será feito, “não só com mais agilidade, mas com um janela mais favorável aos estudantes [durante as férias]. Estamos em janeiro, e a atuação do MEC é no sentido de concluir a tempo para o ingresso regular no primeiro semestre letivo do ano.”

Até o dia 20, será divulgado um edital convocando as instituições de educação superior do Rio de Janeiro que tenham interesse e condições para receber os alunos. Messias explicou que as instituições precisarão ter a qualidade atestada nas avaliações do MEC, condições financeiras para assumir os estudantes e uma proposta de mensalidade equivalente à das que foram descredenciadas. Além disso, deverão aproveitar as disciplinas já cursadas e estar aptas a nivelar as deficiências que o estudante possa ter da formação anterior.

Messias diz também que os estudantes de medicina, que são mais de 2 mil, na Gama Filho, também serão alocados e que ele confia no processo de transferência assistida. Mais informações podem ser obtidas no site da secretaria.

Ainda cabe recurso do descredenciamento, e o Grupo Galileo informou que vai recorrer.

Tags: crise, educação, gama, Rio, universidades

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