Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

País

SP: testemunhas de chacinas têm sigilo garantido

Portal Terra

O secretário estadual de Segurança de São Paulo, Fernando Grella, disse nesta terça-feira que as testemunhas das chacinas de 12 homens em Campinas terão o sigilo garantido durante a condução dos depoimentos em inquéritos. "A Polícia Civil vai colher o depoimento de 15 testemunhas sob a segurança do regimento 32, e elas não terão a identidade revelada. Assim que tivermos os resultados da balística, da necropsia e da perícia, vamos conduzir os inquéritos para apurar as responsabilidades", anunciou o secretário, que se reuniu com a cúpula das polícias Civil e Militar em Campinas.

O motivo da vinda de Grella à cidade foi a repercussão sobre as 12 assassinatos em um espaço de quatro horas, entre a noite de domingo e madrugada de segunda-feira em uma região periférica da cidade. O secretário viajou para dar uma resposta aos reclames da comunidade do bairro Vida Nova, que acusa soldados da Polícia Militar como autores dos assassinatos.

Segundo familiares das vitimas, os homens que atiraram vestiam touca ninja para cobrir os rostos, mas deixaram aparecendo a farda. Outro detalhe que chamou a atenção foram as botas e coturnos iguais às usadas pela corporação. No domingo, um policial militar foi morto ao reagir a um assalto na periferia de Campinas, o que pode ser o fato motivador da chacina.

Segundo Grella, ainda é cedo para tecer conclusões sobre a autoria dos disparos contra as 12 pessoas, todas mortas por tiros desferidos na cabeça e no tórax. "É muito cedo para qualquer definição. Mas não descartamos nenhuma hipótese", pontuou ele.

O secretário foi enfático em afirmar que é de grande importância para a polícia esclarecer os crimes. Ele pediu que as pessoas que viram os atiradores procurem a polícia para denunciar. Para Grella, neste momento toda a força de investigação foi lançada para esclarecer os crimes.

Os 12 mortos tinham idade entre 17 e 30 anos. Seis deles possuíam ficha criminal com passagens por tráfico de drogas e roubo. Todos foram alvejados por disparos de revólver 380 e calibre 9 milímetros, diferentes da .40 usada pela Polícia Militar. Eles estavam sentados em calçadas ou conversando com amigos próximos de suas residências quando foram baleados.

O secretário não descartou a possibilidade da participação de policiais. "Se for comprovado, devemos afastá-los da corporação. O que não pode neste momento é generalizar, isso é um equívoco", disse. Segundo ele, foi formado uma força-tarefa com os investigadores do Departamento de Homicídio e Proteção a Pessoa de São Paulo, um promotor do Ministério Publico, o ouvidor da PM, além dos seis delegados que estarão a cargo dos inquéritos.

Promotoria 

O promotor público Ricardo Silvares foi designado pela Procuradoria de Justiça para acompanhar o andamento dos trabalhos da polícia para a apuração dos fatos. Segundo o promotor, sua missão será o de, por exemplo, sugerir linhas de investigação, solicitar clareza em pontos obscuros, mas não de interferência. "Minha função será mais de um acompanhamento da execução dos trabalhos", disse, minutos antes de se reunir com o secretário Grella, esclarecendo que confia na investigação da polícia.

Tags: apuração, interior, matança, polícia, SP

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