Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

País

PM usa bombas e bala de borracha em 'rolezinho' em São Paulo

Três pessoas foram detidas e muitos lojistas fecharam as portas

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A Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral, além de balas de borracha, contra um grupo de jovens que haviam organizado um “rolezinho” no Shopping Metrô Itaquera, na Zona Leste de São Paulo. Três pessoas foram presas. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), centenas de jovens promoveram quebra-quebra, furtos e roubos no centro comercial.

O incidente ocorreu no início da noite de sábado (11/01), e duas pessoas foram detidas. Cerca de mil pessoas participaram do encontro e muitos lojistas fecharam as portas. De acordo com a SSP, uma loja de jogos eletrônicos teve as portas arrombadas e parte da mercadoria roubada por pessoas com pedaços de madeira. Dois jovens, de 15 e 19 anos, foram detidos com pedaços de pau. No entanto, nada foi encontrado com eles.

A assessoria do shopping, no entanto, havia informado mais cedo, de acordo com informações do Portal Terra, que não houve registro de furto ou roubo. O estabelecimento tinha conseguido uma liminar na Justiça para impedir o chamado “rolezinho” – o texto proibia tumultos, mas não a entrada dos jovens no local. Outros dois shoppings da capital paulista também conseguiram liminar para barrar eventos semelhantes, o Shopping Campo Limpo e Shopping JK Iguatemi.

Mil pessoas participaram do encontro
Mil pessoas participaram do encontro

>> Shopping de luxo em São Paulo consegue liminar para barrar 'rolezinho'

Um adolescente de 16 anos foi detido, segundo a PM, com um celular que teria sido roubado no bolso. Ele é suspeito de ser uma das 11 pessoas que agrediram dois irmãos com socos e chutes. O grupo roubou celulares, tênis e bonés das vítimas do lado de fora do shopping. O menor apreendido será encaminhado para a Vara da Infância e Juventude.

Os rolezinhos, encontros marcados pelas redes sociais por jovens da periferia em centros comerciais, começaram no final do ano passado. Os primeiros foram organizados por cantores de funk em resposta a aprovação pela Câmara Municipal de um projeto de lei que proibia bailes do estilo musical nas ruas da capital paulista. A proposta foi vetada pelo prefeito Fernando Haddad no início de 2014. Os rolezinhos continuaram, no entanto, a serem organizados. A polícia tem reprimido os atos.

Para o sociólogo João Clemente Neto, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, as manifestações em shoppings estão ligadas à carência de locais para lazer e cultura. “Se você for em alguns lugares, mesmo nos bairros da classe média, você não encontra espaço para isso. Se você pegar a cidade de São Paulo, quantos milhões de jovens e adolescentes nós temos? E os espaços para livre manifestação são minúsculos”, ressaltou o professor à Agência Brail, que trabalha com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Para Neto, os jovens optam por se manifestar nos shoppings pela visibilidade dos locais e pela mensagem que eles tentam passar. “Tudo que nós falamos de consumo, que ele quer ver e quer consumir, aparece no shopping. E, ao mesmo tempo, é uma forma de resistência, porque ali é o espaço do consumo. Então, quando você fala ali, é uma forma daquele grupo se reconhecer naquele espaço”, concluiu.

* Com informações do Portal Terra e da Agência Brasil

Tags: paulo, polícia, rolezinho, são, shopping

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