Jornal do Brasil

Terça-feira, 25 de Novembro de 2014

País

José Rainha diz que Barbosa nega sua raça e age como dono de engenho

Líder sem-terra visitou o deputado João Paulo Cunha, condenado no processo do mensalão

Portal Terra

O líder sem-terra José Rainha Júnior afirmou nesta quarta-feira, após visitar o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), que o ministro Joaquim Barbosa nega sua raça e história ao agir de forma “injusta e arbitrária” contra os condenados do mensalão. Fazendo referência à obra Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, Rainha disse que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) age como um senhor de engenho.

“O dia em que o negro entrou na Casa Grande e se encantou com os anéis, ele é tão reacionário quanto o dono de engenho. E o dia em que o negro nega a sua raça, seu sangue e sua história ele é tão branco como o dono de engenho. O que se está fazendo com o Judiciário é uma vergonha”, disse. “Esse País mudou de Casa Grande e Senzala? O que ele mudou? Nada. É um dono de engenho!”, afirmou.

Rainha almoçou nesta quarta-feira com João Paulo, que pode ir para a prisão a qualquer momento. Na segunda-feira, Barbosa determinou o cumprimento imediato da pena, mas saiu de férias sem assinar o mandado de prisão. A ordem pode ser emitida pela ministra Cármen Lúcia, que preside interinamente o STF durante o recesso até o dia 20 de janeiro.

Para o líder sem-terra, a condenação de João Paulo representa o preconceito que o partido e os movimentos sociais sofrem no País. “Eu quero dizer que esse país não mudou nada de Casa Grande e Senzala. Esse País continua igual. Os trabalhadores, negros, miseráveis e sem terra não têm voz e vez. Aqueles que ocupam cargo que representariam sua classe de origem se negam a ela para defender os exatamente os donos de engenho de olhos azuis”, disse o líder, que considera o deputado um preso político.

Amigo de João Paulo há 30 anos, José Rainha contabiliza já ter sido preso 13 vezes, recebendo visita do visita do petista em todas as ocasiões, inclusive quando o parlamentar era presidente da Câmara dos Deputados, em 2003. Questionado se explicou para o amigo como era a vida na prisão, Rainha disse ter “trocado experiências”.

Sem entrar em detalhes, Rainha disse que tinha críticas sobre a postura do PT com os condenados do mensalão, mas não entrou em detalhes. “Eu tenho minha crítica, mas acho que o PT deveria fazer ela. O partido tem responsabilidade pelos seus quadros (...) A solidariedade tem de ser princípio”, disse.

Durante o almoço com José Rainha e amigos, João Paulo conversou sobre eleições e o panorama político, pela conversa que pôde ser ouvida do térreo do prédio em que reside na Asa Sul, em Brasília. Entre outros assuntos, o deputado falou das eleições presidenciais do ano que vem, comentou o desempenho de Dilma nas pesquisas eleitorais e fez comentários sobre o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

Tags: acusação, líder, presidente, sem terra, STF

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