Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

País

Imóveis do Minha Casa, Minha Vida voltam a ser invadidos na Bahia

Portal Terra

Pessoas que reivindicam uma casa do Minha Casa, Minha Vida, em Vitória da Conquista (BA) voltaram a ocupar imóveis vazios do programa federal de habitação entre a noite desta quinta e a manhã de sexta-feira. As ocupações, que ocorriam no Condomínio Pau Brasil, onde a Caixa Econômica identificou 49 casas invadidas, se expandiram para o Condomínio Ipê, onde há cerca 50 casas vazias, segundo moradores.

Os imóveis foram entregues pela presidente Dilma Rousseff em 15 de outubro de 2013. No total, foram entregues 1.750 casas, distribuídas em quatro condomínios.

Os ocupantes disseram que invadiram os imóveis porque não conseguiram resolver o problema no setor de Habitação da prefeitura local. No Pau Brasil, na manhã desta sexta, havia apenas 10 imóveis ocupados, atendendo, em parte, determinação da Caixa para que os invasores deixassem as casas até dia 15 deste mês.

A reportagem conseguiu apurar que apenas um imóvel passou a ser ocupado pelo real beneficiário. Os demais, continuam fechados.

E a reclamação é justamente sobre o fato de os beneficiários terem recebido as chaves dos imóveis, mas eles ainda continuarem sem morador, quando o prazo da Caixa para que ele seja ocupado é de um mês após a entrega das chaves.

Os ocupantes que saíram deveriam passar por atualização de cadastro ou se cadastrar no programa nesta quinta e sexta-feira, conforme o combinado em reunião com a Caixa na segunda-feira passada. No setor de Habitação, porém, só estavam sendo feitos atualizações de cadastros.

Novos cadastros só serão feitos em fevereiro, segundo o coordenador de Habitação Popular da prefeitura, José Cerqueira. “E quem se cadastrar vai esperar como qualquer outra pessoa, não é por que foi ocupante que vai ter prioridade. Há cerca de 20 mil pessoas cadastradas, esperando uma casa”, disse Cerqueira.

O tempo mínimo para receber um imóvel, em Vitória da Conquista, de acordo com Cerqueira, é de um ano. Porém há pessoas que se queixam de estarem cadastradas há quatro anos e nada. “Vou continuar aqui até vir a ação de despejo, e quero saber pra onde é que vão me mandar”, disse a dona de casa Juliana Alexandre Santos, 32 anos, que ocupou imóvel no Ipê.

Grávida de três meses, ela e o marido, Jarbas Alves Sampaio, 25 anos, estão sem emprego e disseram que não têm condições de pagar aluguel. “Tenho cadastro de seis meses no programa, quero uma casa”, disse.

“Fui à prefeitura (nesta sexta-feira) e fizeram um relatório da minha situação, mas não me garantiram nada. Disseram é que eu tinha de desocupar o imóvel, senão a polícia ia tirar”, afirmou.

A dona de casa Flávia Santos Oliveira, 22 anos, também ocupante de uma casa no Ipê, diz que vai resistir. “Tenho de ficar aqui, pois não tenho casa, nem dinheiro”, disse ela, que mora com dois filhos, de 1 ano e 7 anos, e o marido, Givaldo Nascimento Cruz, 28 anos, autônomo. Flávia não é cadastrada no programa e ficou de procurar a prefeitura na segunda-feira.

Sorte melhor, no setor de Habitação da prefeitura, teve a faxineira Selma Xavier Marinho, 31 anos, que já era cadastrada no programa e ficou durante três dias na ocupação no Pau Brasil. “Me disseram, após analisarem meu caso, que eu ia ganhar um imóvel agora em fevereiro, em outro condomínio”, afirmou Selma.

As disputas por uma casa chegaram ao ápice na segunda-feira, com o assassinato de Alan Souza Damasceno Lima, 24 anos. Ele foi morto com cinco tiros por um homem que fugiu numa motocicleta.

A casa que ele ocupava, no Condomínio Ipê, é a mesma em que um homem foi preso, sábado passado, pela Polícia Militar, o que gerou manifestação com queima de móveis velhos, na rodovia do anel viário em frente ao conjunto habitacional.

Após a morte de Alan, moradores, revoltados, quebraram as vidraças da janela. No local, predomina um clima de medo, e, segundo vizinhos ao imóvel que Alan ocupava, amigos da vítima prometeram vingar o assassinato.

“Eles ficam passando todos os dias aqui na porta, olhando pra ver se tem alguém ocupando a casa. Estamos todos apreensivos com a falta de segurança e o risco de mais mortes”, disse um morador, sob anonimato.

Tags: Bahia, casas, condomínio, invasão, populares

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