Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

País

Casal busca R$ 200 mil para tratar cardiopatia de filha

Portal Terra

Ouvir o batimento rápido do coração de uma criança ainda dentro da barriga da mãe é uma das experiências mais impactantes para um casal que espera a chegada de um novo filho. É quando se percebe que uma nova vida se forma ali. Mas na 25º semana de gestação Jean e Tatiane Batschauer perderam o chão quando ouviram que a pequena Beatriz sofria de uma má formação no coração. Ouviram ainda que em Porto Alegre, onde vivem, as chances de sobrevivência seriam de 50%. Entretanto, a esperança cresceu quando os médicos falaram sobre um tratamento em Barcelona, na Espanha, onde esses índices são de 97%.

O maior problema são os custos, que somando tratamento, passagens, estadia e alimentação chegam a R$ 200 mil. Isso não  assustou os dois, que logo começaram a reunir as economias feitas em 12 anos juntos para buscar, em Barcelona, uma chance maior de sobrevivência para a filha. “Converso com o cara lá de cima e digo: me ajuda aqui para que eu possa assumir 97% e deixo só 3% para ti. Se tu não ajudar, vai ficar meio a meio... em Porto Alegre é 50% para ti, e 50% para mim”, diz Jean, que parece inabalável na busca dos meios necessários para o tratamento na Europa.

Beatriz foi diagnosticada com truncus arteriosus tipo 1, uma má formação no coração, que requer cuidados imediatos logo após o nascimento. “A expressão que o cardiologista pediátrico usou foi: uma linha muito tênue entre a vida e a morte”, conta Tatiane.

Os tratamentos existentes no Brasil poderiam dar até 70% de chances de sobrevivência, mas levando em conta os gastos, os médicos foram quase unânimes em dizer que a melhor alternativa seria a Fundação Internacional Cardiopatias Congênitas, em Barcelona. Outra opção seria o tratamento em Pittsburg, nos Estados Unidos, mas os custos chegariam a pelo menos US$ 400 mil - inviáveis para o casal.

“Quando a gente recebeu o diagnóstico, na primeira vez, com o eco cardiograma, a gente tinha expectativa de que seria apenas um susto, isso foi em 25 de novembro... Tu recebe aquela informação e é um baque...  tu fica meio sem chão...  eu pensava como vou arrumar R$ 200 mil e ficar três meses sem trabalhar?”, lembra sobre os dias que sucederam o diagnóstico.

Jean e Tatiane acreditavam que teriam que enfrentar o problema sozinhos, mas logo perceberam que amigos, vizinhos e colegas de trabalho se sensibilizaram com a situação. Ele ouviu da gerência de seu trabalho que seu emprego estaria garantido quando voltasse da Europa, além do pessoal ter organizado rifas e criado páginas em redes sociais em busca de doações. Com ajuda da agência de turismo CVC, eles conseguiram passagens mais baratas.

Eles embarcam dia 18 de janeiro, mas antes de seguirem para Barcelona, já receberam a primeira fatura do hospital de aproximadamente 30 mil euros, que deve ser paga antes da partida. “Essa primeira fatura já vou pagar, mas ainda não sei bem como vai ser com o resto...”, diz Jean.

Com o prazo se apertando, o casal se prepara para a viagem que dará uma chance mais justa de sobrevivência e de vida normal para Beatriz, que ainda será cardiopata pelo resto da vida, mas que antes mesmo de nascer já recebe uma prova de amor e dedicação dos pais. 

“Vamos ter uma filha cardiopata, ela vai crescer com isso, vai ter que fazer outras cirurgias, mas após esse tratamento terá resultados melhores”, diz Tatiane. “Vamos buscar a melhor alternativa, o que a gente quer é a certeza de que daqui a seis meses vamos poder deitar a cabeça no travesseiro, independente do que acontecer, e ter a certeza de que fizemos o melhor que pudemos fazer...”, completa Jean.

As arrecadações são feitas por meio do site Vakinhas na página: Nascimento da Beatriz Batschauer criada por Fernanda França Lago Schweikart (existe uma outra página falsa com o mesmo nome), ou através de uma comunidade no Facebook:https://www.facebook.com/groups/567590166656372/

Mobilização e vida normal

A situação pela qual passa o casal Batschauer já foi vivida por muita gente. Em 2004, Everton e Martine Hagen descobriram no sétimo mês de gestação que Tiago nasceria com uma rara má formação chamada transposição corrigida das grandes artérias, que é como se o coração estivesse invertido. Assim como os pais de Beatriz, eles não tinham dinheiro para bancar o tratamento de mais de R$ 200 mil e começaram a se mobilizar com campanhas de arrecadação que pudessem levantar o dinheiro. “Eu tirei dinheiro de fundo de garantia, vendi o que podia vender, as duas cirurgias saíram em torno de US$ 120 mil, e não teria condições. Por isso resolvemos fazer uma campanha”, afirma Everton, que hoje vê o filho viver uma vida normal.

“Hoje ele faz acompanhamento anual ou de 18 em 18 meses para ver como está a evolução , mas leva uma vida normal, adora jogar bola, já fez natação, tem toda uma atividade normal... Se eu pudesse resumir o sucesso da campanha para realização da cirurgia do Tiago, seria a solidariedade das pessoas. Tudo começou com a minha divulgação por e-mail ou pessoalmente entre amigos e colegas. A campanha foi muito intensa. Em quatro meses tínhamos conseguido alcançar o valor”, diz, atribuindo o sucesso ao engajamento de muita gente que até hoje busca notícias de Tiago. “Deus nos abençoou colocando tanta gente solidária em nosso caminho”

Hoje, o sucesso do tratamento de Tiago é uma esperança para quem passa por problemas semelhantes. Everton conta que muita gente o procura buscando informações quando chega ao site Ouça seu coração e ajude Tiago, criado na época e que ainda está no ar.

Com o filho praticamente curado, Everton busca repetir o exemplo de quem o apoiou. Recentemente, ele fez uma campanha para levantar dinheiro para a cirurgia da filha de um colega que passava pela mesma situação. “Fizemos uma ação entre os colegas e levantamos o valor faltante em um mês”, comemora.

Tags: cardiacos, Espanha, menina, Operação, problemas

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