Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

País

'El País' justifica "jeitinho brasileiro" como fuga às injustiças do país

De acordo com o artigo, a conduta não é um atraso e sim uma "criatividade ancestral"

Jornal do Brasil

O jeitinho brasileiro foi tema do texto “O polêmico ‘jeitinho’ brasileiro”, publicado pelo El País no dia 1. O texto explica que o jeitinho, de tempos pra cá, tem sido denegrido, mas que nada mais é do que “arranjar uma saída para uma situação sem saída” e, portanto, tem ares de inteligência, além de uma “criatividade ancestral”. 

Dando o exemplo do homem cordial, alcunha criada por Sérgio Buarque de Hollanda para ilustrar o jeitinho brasileiro, a matéria aponta o livro “A Filosofia do Jeito”, de Fernanda Carlos Borges como o que melhor explica esse conceito. Segundo ela, esse tipo de conduta não é sinal de um atraso, mas revela um modo de ser que aceita a participação do imprevisível, da fragilidade, da afetividade e da invenção.

Embora o texto admita que o jeitinho brasileiro também está presente entre os mais ricos, é nos mais pobres que ele se mostra com força. Isso porque, segundo a matéria, os que sofreram uma batalha sangrenta no passado sabem o que é a economia de guerra. Ou seja, os mais pobres, “que sempre foram maioria no Brasil”, não podem hoje ser acusados de resignados, já que o poder segue os negando o essencial, como viver em uma sociedade com igualdade de direitos.

Para esses, com seus direitos renegados, “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”, de acordo com o artigo do El País. E é aí que se mostra o jeitinho brasileiro: eles poderiam estar dispostos a derrubar o poder e ocupar a cidade rica, daqueles que não necessitam de jeitinhos porque lhes sobram recursos e apoios políticos. Mas não o fazem porque possuem esse “pássaro na mão”, que oferece a sensação de que algo está melhorando.

O pássaro, para o jornal, aparece, por exemplo, no salário mínimo que é pouco, mas tem aumentos anuais; o suficiente para que quem nunca teve nada comece a sonhar. No entanto, o artigo acredita que, pouco a pouco, é possível que os brasileiros percebam que melhor que o jeitinho é poder atuar como um cidadão pleno, com direitos e deveres, em uma sociedade que funcione para todos, como foi visto nas manifestações de junho.

Ao mesmo tempo em que uma pesquisa aponta que 66% dos brasileiros exigem algum tipo de mudança política, a presidente Dilma Rousseff aparece como favorita para a reeleição. E a oposição, que poderia mudar algo, de acordo com a matéria, segue com baixa popularidade. É como se quisessem mais, porém sem nenhuma mudança brusca, melhorando com segurança.

Portanto, nem mesmo nas manifestações de junho exigiram uma revolução, uma mudança política nem uma nova Constituição. Apenas pediram respeito aos direitos e uma distribuição de riquezas mais justa.

Tags: brasil, Brasileiro, desigualdade, direitos, jeitinho

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.