Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

País

Cidades mais afetadas no ES sofrem com chuvas desde a década de 1970

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As cidades de Colatina e Itaguaçu são vizinhas no centro-oeste do Espírito Santo, e sofrem, de forma semelhante, com as consequências das cheias dos rios que atravessam os municípios. Até este domingo (29/12), eram as cidades com o maior número de mortes (14 das 24 vítimas de todo o Estado). 

Somente em Itaguaçu, quase um terço da população teve que deixar suas casas. No entanto, as chuvas de grande intensidade não são novidades para os habitantes dos lugares. De acordo com levantamento no banco de dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, da Secretaria Nacional de Defesa Civil, há registros de danos relacionados a “inundações bruscas” desde a década de 1970. Nenhuma situação se assemelha à gravidade de dezembro de 2013, mas os dados indicam que há uma evolução da gravidade dos desastres ano a ano. 

Em Colatina, o primeiro registro, de 1971, mostra que a cidade entrou em estado de emergência juntamente com Cachoeiro de Itapemirim por conta de haver mais de “quatro mil flagelados que tiveram que deixar suas casas”. No município, foi decretado o mesmo problema em pelo menos 10 outras vezes. Nos documentos, chama-se atenção para os problemas com as cheias do Rio Doce (o mesmo que inundou em 2013) e os riscos sociais. “Muitas famílias se sentem ameaçadas”, trazia o documento de 2003.

Em Itaguaçu, de acordo com os documentos disponíveis, há registro de que a cidade teve sete vezes decretado estado de emergência por conta das chuvas. Existem também outros sete documentos intitulado “Avaliação de danos”. Os dados apontam para uma evolução da gravidade dos desastres. Em janeiro de 2004, por exemplo, 100 pessoas foram afetadas.

Dois anos depois, a secretaria de obras já registrava “deslizamentos, destruição total e parcial de pontes e bueiros, alagamentos, rompimentos de barragens, destruição de lavouras” e 1111 pessoas teriam sido afetadas. Em outubro de 2009, quando inclusive houve chuva de granizo, a chuva teve consequências para 1640 pessoas. Já no dia 3 de janeiro de 2012, 500 ficaram desalojados e as inundações afetaram nada menos do que nove mil habitantes. Neste ano, mais de quatro mil pessoas tiveram que deixar suas casas.

Limpeza de rios - Em 15 de outubro deste ano, o governo estadual e a prefeitura local divulgaram um acordo de cooperação técnica para investimento em limpeza e desobstrução de canais. O secretário de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), Iranilson Casado, informou, na ocasião, que era uma ação emergencial e de prevenção. “Esta limpeza tem como objetivo retirar os sedimentos e lixos acumulados no leito dos canais, de forma a contribuir com a desobstrução dos locais, restabelecendo a seção de vazão existente”.

De acordo com as informações, um caminhão e uma escavadeira hidráulica seriam utilizados para o serviço de 2400 horas nas áreas do Rio Santa Joana, Córrego Barro Preto e leito antigo da Santa Joana, e toda a extensão do centro de Itaguaçu.

Em andamento - A Sedurb informou ao Portal EBC que estão em andamento intervenções do programa de limpeza de desobstrução de canais que irão contemplar rios e córregos em todo o Estado, inclusive as cidades de Itaguaçu e Colatina. A ação de prevenção, segundo o governo, conta com investimento de R$ 5.303.807,00, sendo R$ 2.309.252,00 para intervenções nos municípios do interior e R$ 2.997.282,00 destinada à Região Metropolitana.

De acordo com nota da assessoria de imprensa, já foram beneficiados, por ações semelhantes, os municípios de Vila Velha, Cariacica, Serra, Marechal Floriano e Fundão. “Também contam com a ação, os municípios de Viana, Guarapari, Domingos Martins, Marechal Floriano, Ibatiba, São José do Calçado, Guaçuí, Piúma, Marilândia, Aracruz, Itarana, Ibiraçu, Santa Teresa e Santa Maria de Jetibá”.

A secretaria acrescentou que o programa de limpeza é acompanhado por campanhas de conscientização popular, a fim de que Para que o Programa de limpeza e desobstrução de canais tenha uma continuidade de sucesso ajudando a evitar que a população seja atingida pelos estragos causados pelas fortes chuvas, (vias públicas destruídas, água suja adentrando a casa aumentando o risco de proliferação de doenças, danos materiais que ela provoca como destruição de casas, imóveis comerciais e residenciais, além das lavouras) também é de extrema importância a colaboração e conscientização da comunidade.

Recursos – De acordo com dados do Siafi divulgados pela ONG Contas Abertas, o Espírito Santo recebeu, até o dia 22 de dezembro, R$ 13,6 milhões. Das cidades mais afetadas, Colatina recebeu R$ 9,9 mil. Vitória, São Mateus, Cachoeiro de Itapemirim e Vila Velha foram as cidades que mais receberam verbas.

* Do Portal EBC

Tags: chuva, Cidades, consequências, estados, histórico

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