Jornal do Brasil

Sábado, 19 de Abril de 2014

País

Chuvas continuam castigando MG e ES. Sobe o número de vítimas fatais 

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A Defesa Civil de Minas Gerais informou nesta quinta-feira (26/12) que o número de mortes provocadas pelas chuvas no Estado subiu para 18. Foi encontrado, durante a madrugada, o corpo de Maria Conceição Aparecida Nascimento, 56 anos, que estava desaparecida desde a noite de ontem, em Juiz de Fora. Ela foi vítima de um deslizamento de encosta que atingiu a sua casa, no bairro Jardim Natal. No Espírito Santo, o número de vítimas fatais passou para 21 e o estado recebeu 170 militares do Exército do Rio de Janeiro para ajudar no resgate nas áreas mais críticas. Homens da Força Nacional também estão no estado.

A morte de Maria Conceição foi  a primeira registrada em Juiz de Fora desde o início da temporada de chuvas no Estados. Os demais municípios que registraram mortes foram: Sardoá (6), Governador Valadares (2), Astolfo Dutra (1), Caratinga (1), Aimorés (1), Francisco Sá (1), Ipatinga (1), Timóteo (1), Itanhomi (1), Belo Horizonte (1) e Itabira (1).

Minas possui, até o momento, 3.410 desalojados e 744 desabrigados. Cerca de seis mil casas foram danificadas e 67 foram completamente destruídas. Dos municípios atingidos, 26 continuam em situação de emergência, em um total de 79 afetados.

No ES, as regiões Norte e Noroeste são as mais atingidas

O número de vítimas fatais no Espírito Santos subiu para 21 nesta quinta-feira (26/12), segundo a Defesa Civil do estado. O estado ainda registra mais de 48 mil pessoas que estão fora de suas casas por causa dos temporais, entre desabrigados e desalojados. A estimativa é que 20 mil quilômetros de estradas tenham sido destruídos e danificados pelos temporais, que atingiram mais fortemente 50 dos 78 municípios do Estado.

"Em algumas cidades, pessoas que estavam desalojados, estão retornando para sua casas. O levantamento das pessoas afetadas continua prejudicado pela dificuldade de acesso a muitas localidades, algumas totalmente isoladas pela intensa inundação, sem comunicação, água potável e energia elétrica", diz a nota da Defesa Civil. 

As orientações da Defesa Civil são para que a população que vive nas áreas de risco vá para um local seguro; fique atenta à movimentações de terra; tenha em mãos o telefone da Defesa Civil no município; evite áreas alagadas, terrenos acidentados, locais em que há buracos, bueiros abertos e fiação elétrica exposta. O órgão alerta que trincas no chão, inclinação de cercas, postes e árvores são indícios de deslizamento - a orientação é para que, nesses casos, o local seja abandonado imediatamente. A população atingida pode solicitar atendimento por meio do número de emergência 193.

Na manhã desta quinta-feira (26), 170 homens do Exército deslocados do Rio de Janeiro chegaram ao estado. A tropa vai dar apoio às equipes que estão atuando nas áreas mais afetadas pelos temporais. Quarenta militares vão permanecer em Vitória e 130 seguirão para Colatina, segundo município que registrou maior número de mortes, na região Noroeste. 

Desde domingo (22), 72 homens da Força Nacional de vários estados nacionais estão no ES trabalhando nos resgastes das vítimas. Do Rio de Janeiro, também saíram os 20 bombeiros do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS), especializados salvamento em desastres, enviados na tarde desta quarta-feira (25). Além de uma equipe de engenharia do exército que irá avaliar a ES-080, onde será construída uma ponte provisória em um trecho que ficou destruído.

Governo envia mais 2 toneladas de medicamentos para o ES

Em alerta por mais chuvas no Espírito Santo, o Ministério da Saúde enviará nesta quinta-feira mais 2 toneladas de kits com medicamentos e matérias hospitalares para o Estado, que já havia recebido a mesma quantia de kits na última segunda-feira. A estrutura será reforçada com mais três equipes especializadas em transporte aéreo de pacientes.

O ministro da Saúde conversou nesta quinta-feira, por videoconferência, com autoridades do Espírito Santo e Minas Gerais para tratar da assistência às vítimas atingidas pelas fortes chuvas. Só no Espírito Santo, 21 pessoas morreram em consequência dos temporais que atingem o Estado, enquanto Minas Gerais já contabiliza 18 vítimas fatais.

As chuvas obrigaram 48.601 a abandonar suas casas no Espírito Santo, segundo o último boletim da Defesa Civil. O número de desalojados caiu em relação aos quase 50 mil registrados no primeiro boletim desta quarta-feira devido à baixa do nível das águas de alguns rios, o que permitiu o retorno de várias famílias a seus lares.

“A previsão é que as chuvas continuem. O planejamento das ações tem de ser para resgate imediato, mas também para preparação dos municípios e dos serviços de saúde para que as chuvas vão continuar. Temos de manter o estado de alerta de que as chuvas vão continuar, em especial no Espírito Santo. Não podemos trabalhar com o cenário de que as chuvas pararam nos dois Estados (Espírito Santo e Minas Gerais)”, disse Padilha.

Segundo o ministro, as 2 toneladas de medicamentos que serão enviadas na noite de hoje têm capacidade de garantir o atendimento de 15 mil pessoas por 30 dias. O governo enviará ainda mais 10 mil frascos de hipoclorito de sódio – composto químico usado para tratar água para consumo. Serão disponibilizadas ainda quatro viaturas 4x4 para transporte de pessoas em regiões de difícil acesso. 

Chuva recorde 

O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnicas e Extensão Rural (Incaper) informou que as fortes chuvas que há mais de uma semana atingem o Estado já são as maiores enfrentadas, desde que começaram as medições meteorológicas no Espírito Santo, há 90 anos. Segundo o Incaper, o fenômeno é decorrência de "um canal de umidade associado à presença de Zonas de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) que vem mantendo o tempo encoberto em todo o Estado".

As informações indicam que já foram registrados acúmulos de chuva com volume superior a 700 milímetros desde o início do mês de dezembro em alguns municípios do Estado. "O solo já está muito encharcado, e a continuidade da chuva só agrava os impactos", disse Hugo Ramos, meteorologista do Incaper.

Os estragos causados pela chuva já são considerados maiores do que a tragédia registrada na enchente de 1979, que afetou municípios de Minas Gerais e Espírito Santo localizados no Vale do Rio Doce. Naquela época, quase 48 mil pessoas tiveram que deixar suas casas. Foram registradas 74 mortes. Houve 4.424 residências atingidas nos dois Estados.

A maior cheia da história do rio Doce foi em 1997, quando o manancial ultrapassou a cota de 8,7 metros. Em Colatina, a cota de inundação do rio Doce é de 5,2 metros. "Em outras palavras, ao atingir este nível, o rio transborda e pode inundar vários pontos da cidade", disse Ramos.

A Secretaria Nacional de Defesa Civil continua enviando alertas de risco de inundação e deslizamento de terra na região serrana e alagamentos em Linhares e Colatina, devido ao nível do rio Doce estar acima da taxa de inundação. A avaliação do Incaper é de que o rio deve ultrapassar 10 metros. 

* Com Portal Terra e Agência Brasil

Tags: bombeiros, chuvas, deslizamentos, espírito, MINAS, santo

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