Jornal do Brasil

Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

País

MPF-GO processa desembargador associado a Carlinhos Cachoeira

Magistrado já foi aposentado compulsoriamente 

Jornal do BrasilLuiz Orlando Carneiro

O Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) moveu, nesta semana, ação de improbidade administrativa contra o ex-desembargador Júlio César Cardoso de Brito e contra Carlinhos Cachoeira, além de outras três pessoas e três empresas do grupo criminoso do empresário-contraventor. O magistrado foi acusado de – no período 2010-2012, por diversas vezes - tirar vantagens patrimoniais indevidas em razão do exercício do cargo de juiz Tribunal Regional do Trabalho(TRT) da 18ª região.

De acordo com a acusação do MPF, as “benesses” iam desde ingressos para camarote em show artístico, garrafas de bebidas caras e empréstimo de automóvel importado de luxo, passando por viagens internacionais (passagens e hospedagens), e culminando com o pagamento de dívida decorrente da compra de um automóvel.

Júlio César Cardoso de Brito também teria aceitado promessa de uma viagem aos Estados Unidos e de um automóvel Mercedes Benz E350. No entanto, ele não recebeu esses “benefícios” por causa da deflagração da Operação Monte Carlo, que “embora não tenha desmantelado a organização criminosa, causou-lhe duro golpe e suspendeu por vários meses as suas principais atividades”, ainda conforme a ação proposta.

Favores

Os “favores” prestados pelo ex-desembargador – ainda de acordo com os autos - consistiam na “remoção de entraves jurídico processuais que contrariavam os interesses da organização criminosa, sempre em afronta aos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade”. Dentre os diversos atos praticados para beneficiar o grupo, destaca-se o trabalho do ex-desembargador em acompanhar a tramitação de ações judiciais de interesse de empresas pertencentes ao bando de Cachoeira, além de dar orientação e assessoria jurídica não só aos criminosos em si, mas também aos advogados encarregados formalmente de patrocinar as respectivas defesas.

A ação do MPF baseou-se no processo administrativo disciplinar aberto contra o desembargador no TRT-18, e que culminou com a sua aposentadoria compulsória, logo depois da deflagração da Operação Monte Carlo.

Área criminal

Na área criminal, o MPF informa que a Operação Monte Monte Carlo já resultou em quatro denúncias. A primeira delas ocorreu 19 dias depois da deflagração da operação, no ano passado. Ao todo, 80 pessoas foram acusadas de participar da organização criminosa que explorava a jogatina em Goiás e região. A quadrilha encabeçada por Carlinhos Cachoeira explorava direitos dos pontos em Goiânia e no Entorno de Brasília, onde as máquinas caça-níqueis estavam clandestinamente instaladas. O negócio se mantinha com apoio de policiais militares, civis e federais.

No fim do ano passado, foi proferida a sentença contra sete dos 80 denunciados pelo MPF. As maiores penas cominadas a Carlinhos Cachoeira (39 anos e 8 meses), Lenine Araújo (24 anos e 4 meses), José Olímpio Queiroga (23 anos e 4 meses) e Idalberto Araújo, o Dadá (19 anos e 3 meses).

Em 14 de novembro de 2012, a segunda acusação foi apresentada pelo MPF/GO contra 16 pessoas, com foco no crime de depósito e exploração comercial de caça-níqueis compostos por equipamentos eletrônicos sabidamente contrabandeados.

Já em julho deste ano, o MPF apresentou mais duas denúncias. Uma contra Andressa Mendonça, companheira de Carlos Cachoeira, por corrupção ativa (artigo 333, do CP) e por coação ao juiz federal Alderico Rocha Santos (artigo 344, do CP), então responsável pela condução do processo do Caso Cachoeira na Justiça Federal. A outra denúncia – a quarta resultante da Operação Monte Carlo – acusou quatro pessoas por lavagem de dinheiro, entre elas José Olímpio Queiroga, que também responde por outras duas acusações.

Tags: bicheiro, federal, Goiás, Ministério, público

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