Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

País

Não se metam comigo que eu sou baiana, diz Eliana Calmon ao se filiar ao PSB

Portal Terra

Uma solenidade com mais de três horas de duração marcou, em Salvador, a filiação da magistrada Eliana Calmon, ao PSB. Depois de ser a primeira presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a primeira mulher a se tornar ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ela acaba de se aposentar, após 34 anos de trabalho, e promete entrar com toda força na carreira política, na disputa por uma vaga ao Senado Federal pela Bahia já em 2014.

O evento contou com a presença do governador de Pernambuco e pré-candidato à presidência, Eduardo Campos, da ex-senadora e candidata a vice na chapa, Marina Silva, e da senadora baiana Lídice da Mata, candidata socialista ao governo do Estado.

A filiação se deu um dia depois de outra cerimônia, realizada na noite de quarta-feira, na qual Eliana assinou sua filiação simbólica à Rede Sustentabilidade, que não conseguiu seu registro na Justiça eleitoral. Na tentativa de contornar a situação, a entidade se uniu ao PSB para a disputa eleitoral de 2014, e, a tomar pelo primeiro evento regional conjunto, promete ser capaz de incomodar grandes alianças no ano que vem.

Durante a manhã e o início da tarde, cerca de 600 convidados ouviram atentos aos discursos dos que podem ser considerados, hoje, os nomes de maior destaque do PSB. Campos, Mariana, Eliana e Lídice apostaram na expressão “nova política” em contraposição ao atual cenário de governança de coalizão, marcado por grandes alianças e foco no potencial eleitoral das legendas. A isso, somaram-se o destaque dado à importância do crescimento do papel da mulher no cenário político brasileiro e a promessa de que a união entre a Rede e o PSB - que já ganhou a adesão do PPS - seja uma resposta às manifestações de junho através do crescimento da participação popular na elaboração do programa de governo.

Em sua passagem pela presidência do CNJ, Eliana ficou conhecida por combater a "gangue dos bandidos de toga", e chegou a ser alvo de processos por isso. A popularidade conseguida com a atitude contestadora foi um dos principais impulsos para sua candidatura. "Nos piores momentos, disse aos magistrados que me perseguiram: ‘não se metam comigo que eu sou baiana'. É aqui que quero caminhar, com esse povo que roda a baiana", brincou.

Sem passado na política nem escândalos a que possa ser associada, Eliana Calmon tem sido constantemente criticada por adversários políticos sobre a sua pouca experiência na política. Uma das fontes de “indiretas” é o candidato petista ao governo baiano, Rui Costa. “Não me incomodo em saber pouco dessa política onde mandam o poder econômico e os currais eleitorais. Prefiro aprender a forma nova de se fazer”, alfinetou.

Ainda sem grandes patrocinadores para sua campanha, a magistrada fez questão de reforçar que entra no pleito com um patrimônio pequeno e nenhum dinheiro para investir. “Fiquei feliz por ser aceita nestas condições. Aceitaremos apoio, mas apenas o que for permitido por lei. Quero fazer uma campanha fora da camisa de força que o dinheiro cria”, reforçou.

O tema financiamento voltou à tona na fala de Marina Silva, que atribuiu uma possível vitória das coligações lideradas por PT e PSDB à máquina pública e aos grandes patrocinadores. “Se um de nós vier a vencer, será exclusivamente pelo poder dos cidadãos, porque estrutura e dinheiro, nós não temos.”

Tags: Conselho, ex-presidente, filiada, justiça, partido

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