Jornal do Brasil

Domingo, 20 de Abril de 2014

País

Dilma: "Foi um orgulho fazer uma política que transforma"

Na conversa com jornalistas, presidente falou sobre economia, política e programas sociais

Agência Brasil

A presidente Dilma Rousseff tomou café da manhã, nesta quarta-feira (18), com os jornalistas que fazem a cobertura do Palácio do Planalto. No encontro, Dilma conversou sobre economia, educação, saúde e os programas de transferência de renda, que retiraram, nos últimos anos, 22 milhões de brasileiros da pobreza extrema. Confira os principais trechos da conversa:

Combate à pobreza

"Não posso deixar de dizer que tenho orgulho da gente ter sido capaz de focar a política de superação da pobreza. (…) Acho que temos sido capazes de, em dois anos e meio, tirar 22 milhões de brasileiros da pobreza é um orgulho para mim. Porque demonstra maturidade e domínio do instrumento público de política. Pudemos fazer isso porque viemos do patamar de evolução de dez anos. (…) Para mim foi um orgulho grande, quando chegar que vê um ponto de maturação, fazer uma política que transforma".

Dilma Rousseff conversou com jornalistas setoristas do Palácio do Planalto.
Dilma Rousseff conversou com jornalistas setoristas do Palácio do Planalto.

Leilão de Libra

"O leilão foi um sucesso porque juntou empresas fortíssimas. Primeiro juntou a Shell, que, com a Petrobras, são as responsáveis pelas melhores tecnologias de exploração de petróleo em águas profundas. A Total também, e duas das maiores petroleiras do mundo, que são as chinesas CNPC e CNOOC, que controlam os fluxos comercias de compra e venda de petróleo. (…) Implica em um fato de que 85%, se contar Petrobras junto, ficamos com 85% do óleo produzido no Brasil".

Confiança na economia

"O Banco Central deu novos números de investimento estrangeiro direto no Brasil. Até novembro, foram US$ 57,5 bilhões. Vamos fechar o ano naquela hierarquia de investimentos. Primeiro, Estados Unidos, depois China, depois Brasil. US$ 57,5 bilhões é algo significativo, e ninguém bota isso onde acha que a situação não rende. Acho que há uma tendência de muita gente, e temo por ela, de olhar sempre o copo meio vazio. Essa tendência ela é complicada, porque uma parte da economia é expectativa. Cada vez que você instiga desconfiança, instiga discussão sem muito sentido, cria clima ruim".

Mais Médicos

"Considero importante o Mais Médicos. Se vai levar oito anos para gente formar médico no país. Temos de tomar providência e aumentar o número de médicos e interiorizar a formação. Agora. A população não pode esperar. Sabemos que a distribuição era desigual na periferia, no interior, no Norte e no Nordeste. Faltava médico fisicamente. Pode ter o posto, estou tratando da atenção básica, que resolve 80% dos problemas de saúde. O médico pode atender onde? Na casa da pessoa. No espaço do atendimento da atenção básica é o mais simplificado. Depois tem a UPA [Unidade de Pronto Atendimento] e o hospital. Tomamos uma medida, que é formatar uma política focada que leva esse médico, com um atendimento humanizado".

Igualdade de oportunidades

"Gosto do Viver sem Limites, da Casa das Mulheres e de todos os programas de cotas para os negros, porque esse país viveu a escravidão durante muitos anos. E, quando aboliu, manteve a hierarquia da sociedade escravista, que era o racismo. E o racismo se perpetuou numa estrutura. Tanto que tiramos 40 milhões da pobreza e pode saber que uma parte significativa dessas pessoas é negra. Então, ter uma política de cotas é a forma pela qual se faz a política afirmativa. Sou a favor nas universidades e no serviço público. É imprescindível num país que mais de 50% dos brasileiros se declararam afrodescendentes. Têm que ser contemplados com políticas especificas. Ocorre no Prouni, no Fies, em todas as politicas de valorização".

Luz para todos

"Disse que íamos universalizar o Luz para Todos, e vamos. Estamos na fase de universalização, estamos na fase mais difícil, tendendo a 0. Por fim, fica o que é mais difícil de fazer. E isso pode levar três anos para conseguir. Por que onde está o que falta? No meio da floresta amazônica. Ou em lugares de difícil acesso. (…) Achávamos que tínhamos 10 milhões de pessoas, em torno de 2 milhões de ligações, descobrimos que tinha 12 milhões, depois era 15 milhões. E, hoje, falta 270 mil. Aí vai me perguntar se cumpriu a meta? Cumpri. Estamos agora no 15 milhões e um pouquinho. Não ter 15 milhões sem luz faz toda diferença do mundo. É um outro país".

Logística

"Nós estamos conseguindo fazer as concessões que prometemos. Tivemos seis concessões ao longo do governo de aeroportos. (…) Fizemos as cinco rodovias viáveis, porque tem rodovia que não é viável porque o local não é compatível com a renda, exige preço de retorno que não bate com o que é possível. E vamos fazer, o tribunal aprovou a primeira concessão de ferrovias. É importante fazer a primeira porque, dessa forma, jamais fizemos licitação de ferrovia. O Brasil, um país desse tamanho, não tem ferrovia nesse momento. (…) Aí teremos de fato modais, porque, sem trilho, num país dessa dimensão, podem ter certeza, isso é uma questão tão grave quanto você não conservar suas rodovias. (…) Queria dizer sobre os portos, uma das coisas mais importantes foi em termos de reforma regulatória. Para terem uma ideia, a quantidade de terminais de uso privado liberados vai ser muito significativa como investimento. (…) Tudo isso vai representar uma melhoria significativa na logística portuária".

Reajuste automático de combustíveis

"Sou contra a indexação. Quero dizer que dos vários problemas herdados (...), a indexação era algo extremamente perigoso. Indexar a economia brasileira ao câmbio ou a qualquer variável externa é algo temerário”.

Dilma ironiza oposição: “A Petrobrax?”

Diante da acusação do PSDB de que a Petrobras estaria sendo reestatizada, Dilma respondeu com tom irônico. “Não é sério esse troço de que vamos reestatizar a Petrobras. A Petrobrax?”, afirmou a presidente, lembrando da proposta feita para substituir o nome da companhia para ganhar um nome mais internacional, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. À época, as críticas fizeram o governo recuar.

“Somos os controladores da Petrobras, não tem outro jeito. E é essa a interferência que o governo faz e que está prevista na lei”, disse, referindo-se à atuação estatal na empresa, que é de capital misto.

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Tags: almoço, dilma, Natal, planalto, setoristas

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