Jornal do Brasil

Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

País

Irmã de estudante morta em fosso de elevador acusa USP de 'descaso'

Portal Terra

A irmã da estudante Bruna Barboza Lino, 19 anos, que morreu no domingo após cair em um fosso de elevador em um prédio abandonado na Universidade de São Paulo (USP), criticou nesta segunda-feira o "descaso" da instituição com o acidente. Bárbara Barboza Lino afirmou que a universidade sequer procurou a família da jovem, e disse que irá procurar um advogado para cobrar punições pela morte de Bruna.

O corpo da estudante de Letras foi enterrado no final da manhã desta segunda-feira, no Cemitério Vila Paulicéia, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Bruna estava com os amigos no local após ter saído de uma festa na própria Cidade Universitária. Apesar de fechado com portões e cadeados, o prédio - localizado ao lado do Paço das Artes, na entrada principal da USP - é frequentemente utilizado pelos estudantes como local de encontros e de festas, já que eles entram por um buraco feito na grade.

Segundo amigos de Bruna, a jovem se distanciou do grupo para procurar um banheiro. Eles disseram que ouviram um grito e, em seguida, encontraram a estudante caída no buraco. Quando a polícia chegou ao local, a estudante já estava morta.

O prédio onde ocorreu o acidente pertence ao Instituto Butantan, que informou em nota que o imóvel é "cercado por muros e grades".  Em nota, a USP disse que "lamenta profundamente o falecimento da estudante".

A irmã de Bruna, porém, não se contenta com as explicações. "Estamos revoltados com o descaso em relação aos órgãos competentes. Quem é o dono do prédio, o (Instituto) Butantan e a USP? Por ser uma aluna da USP e o prédio ser frequentado por alunos da USP, (a universidade) deveria dar uma satisfação. Eu, como família, pretendo procurar advogado, qualquer tipo de pessoa que possa me auxiliar para encarar esse fato da melhor forma possível. Até agora, ninguém se pronunciou, nenhum responsável pelo prédio entrou em contato comigo. Queremos justiça", disse Bárbara.

Bruno Barros, 21 anos, amigo da jovem, criticou a falta de sinalização no local. Ele tentou ajudar a estudante ao saber que ela tinha caído no fosso, e disse que Bruna estava sóbria no momento do acidente.

"Não tem sinalização nenhuma. O portão estava aberto, escancarado", afirmou Bruno. "Eu liguei para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Disse que minha amiga tinha caído de três andares e me perguntaram o número do endereço. Eu não sabia o número porque é um local abandonado. Eles desligaram na minha cara. Isso não é omissão, é uma puta falta de vontade. Estamos a cinco minutos do hospital universitário e demoraram 25 minutos para chegar", disse o amigo de Bruna.

Questionado se estava arrependido de ter entrado no local, Bruno negou e disse que o que aconteceu com a amiga foi uma verdadeira tragédia. "Era um bar. Eu entrei no lugar e estava bebendo, conversando. A Bruna, não importa o que ela fez, ela estava sóbria na hora e foi ali que ela caiu. Esse 'e se' não existe. Se eu fosse viver a minha vida pensando no que eu poderia ter feito para ela não morrer, eu não vou viver. Eu posso estar atravessando a rua, se eu for atropelado, vou morrer. A questão não é que a gente foi lá e somos os culpados. Foi uma tragédia. Uma tragédia que a USP e o governo não querem assumir", disse.

O caso é investigado pelo 93º DP, e a Polícia Civil deve fazer uma vistoria no local na tarde de hoje para apurar se houve negligência no caso.

Durante o velório e o enterro, os amigos da estudante fizeram questão de prestar mais uma homenagem à jovem. A maioria deles, homens e mulheres, usaram batom para lembrar a vaidade de Bruna.

"A Bruna, a minha Bruna, ela tem o coração mais carismático que já vi. Ela ligava bastante para aparência dela e gostava muito do batom vermelho. O batom vermelho é a marca da Bruna. Queremos levar isso pra USP, queremos deixar a Bruna com a gente", lamentou Bruno.

Tags: Aluna, elevador, morte, SP, universidade

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