Jornal do Brasil

Domingo, 20 de Abril de 2014

País

Após bate-boca, júri de PMs acusados de assassinato é dissolvido em SP

Portal Terra

O tom ríspido nos embates entre acusação, defesa e juiz suspenderam duas vezes em menos de uma hora, nesta segunda-feira, o júri de quatro policiais militares acusados de matar o servente de pedreiro Paulo Batista do Nascimento. No começo da noite, após uma série de bate-bocas e um pedido de perícia no GPS da viatura dos réus, feito pelo defensor, o  juiz que preside o júri, Fernando Oliveira Camargo, decidiu dissolver o conselho de sentença, o que fez com que um novo julgamento só venha  ocorrer no ano que vem.

O crime aconteceu em novembro do ano passado no Campo Limpo, zona sul de São Paulo. O julgamento teve início no começo da tarde no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste da cidade.

O primeiro bate-boca aconteceu entre o advogado dos réus, Celso Machado Vendramini, e o juiz que preside o júri, Fernando Oliveira Camargo. Irritado com uma intervenção do magistrado, Vendramini ameaçou deixar o plenário ao ser incitado pelo juiz a interrogar um perito da área de informática, em vez de uma das testemunhas da acusação - o tenente Rodrigo Elias da Silva, que chefiou o Inquérito Policial Militar que apontou a responsabilidade dos PMs no homicídio.

Vendramini queria saber por que o GPS da viatura usada pelos policiais, em 10 de novembro de 2012, data do assassinato de Nascimento, apontava lacunas grandes no registro. Diante das negativas da testemunha em explicar - alegara que não era sua área de conhecimento -, o juiz sugeriu o perito e irritou o advogado. Vendramini acusou o magistrado de fazer “um julgamento parcial” e abandonou o plenário.

Depois de 20 minutos, a sessão foi retomada com um pedido de desculpas do magistrado. “São desentendimentos que acontecem em um júri, é normal”, disse.

Poucos minutos depois, o advogado novamente se irritou - desta vez, com um gesto do promotor, Felipe Zilberman, que teria influenciado indevidamente os jurados. O promotor gesticulara que perguntas feitas por Vendramini ao tenente já constavam do processo. No meio da discussão, o juiz suspendeu a sessão por meia hora.

Após decisão de dissolução do júri, o promotor Felipe Zilberman lamentou dizendo tratar-se de uma manobra jurídica “infelizmente foi um trabalho perdido; foi uma manobra da defesa que repudiamos”.

O crime

No dia 10 de novembro de 2012, a Polícia Militar divulgou a informação de que dois PMs de motocicleta foram recebidos à bala durante a abordagem de um carro roubado na região do Campo Limpo. Segundo a corporação, durante a perseguição, os dois suspeitos acabaram morrendo na troca de tiros.

A versão inicial dizia que o servente de pedreiro Paulo Batista do Nascimento, 25 anos, foi encontrado morto em uma viela após a troca de tiros. Ele já tinha sido condenado por roubo, receptação e falsificação de documentos

Dias após a abordagem, porém, uma testemunha revelou que a vítima foi abordada dentro de uma casa. Um vídeo feito por um vizinho mostra o Paulo sendo cercado por policiais em uma rua do bairro do Campo Limpo. No vídeo, é possível ver o servente levando um tapa e um chute dos policiais antes de ser levado para o carro da polícia. Em seguida, um policial aparece com os braços erguidos em posição de tiro. Não é visto nenhum disparo, mas depois de um barulho parecido com um tiro, as imagens mostram a movimentação de alguns agentes.

Os policiais colocaram a vitima dentro da viatura e saíram do local em alta velocidade.

Tags: fim, julgamento, jurados, pedreiro, Tribunal

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