Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

País

"Uma injustiça ele sair dessa forma”, diz filha de Genoino sobre renúncia

Portal Terra

“Não nos interessa a questão político-partidária que envolve a renúncia dele: nossa preocupação é com a vida do meu pai; isso tudo é muito duro. Foi uma injustiça ele ter que sair dessa forma.”

O desabafo é da professora Miruna Kayano Genoino, 32 anos, filha do ex-presidente do Partido dos Trabalhadores José Genoino. Ela e o irmão, o educador esportivo Ronan Genoino, 30 anos, foram homenageados nessa quarta-feira, em São Paulo, durante um evento que debateu o julgamento do mensalão perante alunos e nomes ligados ao partido em uma das dependências da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco.

Os irmãos se emocionaram ao receber flores e palavras de apoio e de solidariedade. “Vocês não estão sozinhos”, ouviram em mais de uma oportunidade.

Os irmãos se emocionaram ao receber flores e palavras de apoio e de solidariedade
Os irmãos se emocionaram ao receber flores e palavras de apoio e de solidariedade

Arredios – “estamos em um nível de exposição muito grande”, lamentou a professora –, aceitaram falar com o Terra sem entrar no mérito político, “apenas pessoal”, da renúncia apresentada nessa terça pelo pai. Genoino é um dos condenados do julgamento do mensalão que acabaram sendo presos em regime semiaberto, por determinação do Supremo Tribunal Federal, mas estava licenciado da Câmara para tratamento médico.

Com a cassação, o petista escapou do processo de cassação que seria aberto pela Mesa Diretora da Casa.

“Seja uma ou dez pessoas manifestando apoio, achamos importante. Nossa preocupação é com a vida dele, queremos que nosso pai volte para casa. Até a saúde dele está sendo questionada”, indignou-se Miruna referindo-se às especulações sobre o nível de gravidade da saúde do ex-presidente do PT. Internado após sofrer uma crise de pressão alta, já preso, ele chegou a ser encaminhado a um hospital, mas uma junta médica não julgou necessária a permanência de Genoino no local .

“[A renúncia] Foi uma injustiça, porque ele estava de licença médica e sem chance de se defender. Meu pai não merecia ter passado por isso”, afirmou Ronan, que disse ter ido ontem ao evento do partido “porque meu pai, impossibilitado de vir, pediu que eu viesse”.

"Covardia" da mesa diretora e pedido a advogado de Dirceu 

Para os dois irmãos, a postura da Mesa Diretora diante do processo de cassação que seria aberto por ela “foi covarde”, dada a situação de licença médica do parlamentar. O que mudou na rotina da família? Diante da pergunta eles sorriram, se olharam e responderam juntos: “Não existe mais essa rotina familiar, isso acabou.”

Conforme a professora, a despeito de o pai estar preso em Brasília, os filhos seguirão em São Paulo. “Porque temos nossos compromissos: se estamos aqui, é porque dependemos de nosso trabalho para sobreviver, temos contas para pagar, filho para criar...”

Durante a conversa, o advogado Rodrigo Dall’Acqua, que atua na defesa de outro condenado preso, o ex-ministro  José Dirceu, é parado pelos irmãos. “Se você falar com eles, manda uma mensagem, por favor: diz que a gente não para de pensar neles. Quando foram, a gente nem conseguiu se despedir”, pediu Miruna ao advogado.

Dall’Acqua também participou do evento e falou sobre o que chamou de inconsistências “sem precedentes” no julgamento. “Essas prisões aconteceram de uma forma completamente inusitada: aconteceram em um feriado [de 15 de novembro], mas com a carta de sentença emitida apenas no dia útil seguinte”, declarou o defensor, para quem “os presos têm que ser tratados com dignidade, ainda que saibamos que o caminho pela frente é tortuoso”.

Além dos irmãos, receberam flores dos petistas no evento no Largo São Francisco também a mulher do ex-tesoureiro preso do PT, Delúbio Soares, Mônica Valente –também dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) -, e a ex-assessora de Dirceu Maria Alice Vieira.

Tags: acusação, cassação, mandato, Mensalão, STF

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