Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

País

Siemens acusa ex-presidente de pagar propina

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Mark William Gough, vice-chefe de "compliance" - setor que cuida de controle ético e conformidade com as leis - da Siemens na Alemanha, acusou, em depoimento à Polícia Federal,  o ex-presidente da empresa, o engenheiro Adilson Primo, de ter usado uma conta em Luxemburgo para pagar propina no Brasil e fazer remessas para doleiros. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

A conta recebeu cerca de US$ 7 milhões (R$ 16,7 milhões hoje), que teriam sido desviados da Siemens, ainda segundo a empresa.

Primo foi demitido da Siemens em 2011 sob acusação de ter escondido da direção da empresa na Alemanha a existência dessa conta. Ainda de acordo com a Siemens, os cerca de US$ 7 milhões foram desviados da empresa.

De acordo com a Folha, Mark William Gough revelou ainda, no depoimento à Polícia Federal, que uma investigação feita em Luxemburgo descobriu que um servidor da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Marcos Honaiser, recebeu US$ 30 mil (R$ 72 mil) da conta de Primo.

O executivo diz que há suspeitas de propina pelo fato de Honaiser ter sido da Marinha, na qual foi capitão-de-fragata, comandando submarinos, e da Cnen. A Siemens era fornecedora da Marinha, no projeto do submarino atômico, e também da Cnen. A tecnologia da usina nuclear Angra 2 é da Siemens.

A ordem de transferência para o servidor da Cnen foi assinada por Primo e Newton Duarte, que foi diretor de energia e assinou o acordo de leniência da Siemens, no qual a multinacional diz que ela e outras empresas combinavam resultados de licitações de trens em São Paulo e no Distrito Federal.

De acordo com o jornal, o advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, que defende Primo, diz que a acusação da Siemens é uma cortina de fumaça para esconder o fato de que a conta foi aberta por ordem da matriz na Alemanha para fazer pagamentos ilícitos. "A Siemens fazia isso no mundo todo."

Honaiser diz que não sabe por que seu nome foi citado como beneficiário de US$ 30 mil: "Eu era da administração e quem tinha contato com a Siemens eram os técnicos".

Ele trabalhou na Cnen entre 1985 e 1993 e depois foi para o Uranus, o fundo de pensão da empresa pública, do qual se aposentou em 2002. Diz também que já teve conta no exterior, pelo fato de ter morado na Inglaterra quando era da Marinha, mas não confirma se era na Suíça.

Tags: acusação, cartel, denúncia, Metrô, siemens, SP

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