Jornal do Brasil

Sábado, 19 de Abril de 2014

País

Guarulhos: corpo encontrado em escombros é de operário desaparecido

Jornal do Brasil

O corpo encontrado sob os escombros do prédio que desabou na noite de segunda-feira, em Guarulhos, na Grande São Paulo, é do operário Edenilson de Jesus dos Santos, desaparecido desde o dia do desmoronamento. Segundo Paulo Victor Novaes, coordenador da Defesa Civil de Guarulhos, o corpo foi encontrado na parte dos fundos do terreno.

O trabalho do Corpo de Bombeiros no local já durava mais de 66 horas, segundo a corporação.

O prédio em construção desabou na noite de segunda-feira, no bairro Vila Leonor, em Guarulhos. No terreno, restaram nada menos do que 1,2 mil toneladas de entulho, equivalente a cerca de 150 caminhões, segundo o Corpo de Bombeiros. 

Segundo a prefeitura, a obra tinha alvará de construção em dia. O documento foi emitido em 23 de novembro de 2012 e autoriza a construção de um condomínio residencial de 30 apartamentos e dois salões comerciais, com um total de 3.706 metros quadrados. A construtora Salema, responsável pela obra, entrou com um pedido em maio deste ano para responsável pela obra. O novo alvará foi expedido no mês passado, informou a prefeitura. "A partir daí, e de acordo com as normas técnicas brasileiras, a responsabilidade sobre a execução da obra cabe à empreiteira, através do seu engenheiro responsável", destacou.

Rachaduras

O ajudante de pedreiro André Rodrigues Santana, 24 anos, trabalhava na obra e disse que existiam rachaduras no local e que seus superiores sabiam do problema. "Eu já tinha percebido as rachaduras. Todo mundo falou que esse prédio uma hora ia cair. Todo mundo estava sabendo. Tinha trincas nas paredes e já tínhamos avisado os mestres da obra", afirmou ele.

Santana trabalhava na obra do prédio havia seis meses. No dia do desabamento, ele deixou a construção por volta das 18h, cerca de uma hora antes de a estrutura desmoronar.

Outro operário disse que a construtora Salema, empresa responsável pela obra, não fornecia equipamentos de segurança a todos os obreiros. O encanador Mário Ferreira dos Santos, 62 anos, afirmou que trabalhava sem capacete ontem, algumas horas antes do desabamento."Não sou registrado, não estava usando capacete e só alguns operários tinham equipamento de segurança. Eles não forneciam equipamentos para todo mundo. O correto é andar com equipamento, pois é muito perigoso", disse Santos.

Para o advogado da Salema, o ocorrido foi uma "catástrofe" e garantiu o uso de equipamento de seguranças pela equipe de operários. Testemunhas disseram que operários trabalhavam sem os equipamentos básicos e alguns usavam até chinelos no horário de trabalho. "Isso não é verdade. Sem equipamento e de chinelos? Uma obra desse tamanho, sem fiscalização, não existe", disse o advogado Maurício Monteagudo.

Quando questionado sobre denúncias da existência de rachaduras no local, Monteagudo afirmou que "isso é improvável". “Se tivesse alguma avaria, já tinha corrigido. Falta de equipamento é impossível, até porque temos engenheiro de segurança”, falou.

"Estávamos com quase 80% da obra concluída. Não tinha nenhum problema estrutural em um primeiro momento e o engenheiro responsável acompanhava a obra toda semana. Isso pode ser estrutural do solo, em minha opinião", falou o advogado.

Com Portal Terra

Tags: Desaba, edifício, metropolitana, região, SP

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.