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Segunda-feira, 21 de Abril de 2014

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'El País': "Governo se contenta em administrar a pobreza", diz Aécio

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O jornal espanhol El País destaca nesta segunda-feira (2/12) uma entrevista exclusiva com o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o senador Aécio Neves, nas próximas eleições presidenciais no Brasil. Com o título "O governo se contenta em administrar a pobreza. Queremos vencer", a matéria dos correspondentes Carla Jimenez e Luis Prados destaca o perfil e planos político de Aécio e os números recentes das pesquisas, que apontam 14% para o senador contra os mais de 40% nas intenções de voto para a presidente Dilma Rousseff. 

'El País' entrevista senador Aécio Neves
'El País' entrevista senador Aécio Neves

Aécio afirma ter visitado seis estados brasileiros, nos últimos seis meses, observando uma mudança nas expectativas futuras da população, que quer mais investimento na educação, sendo esta a questão chave. Ele avaliou a administração do PT nos últimos dez anos, citando o controle da inflação, mas acredita que o governo tem perdido credibilidade. O senador afirmou que o desejo de mudança é real e mais de 60% da população expressa isso. Ele se considera o candidato de oposição mais apropriado para mudar o cenário nacional. Aécio enumerou as prioridades do plano de governo do PSDB, como o controle da inflação, a melhoria da educação, como será tratado os serviços públicos e o setor privado.

O senador Aécio Neves disse que o seu maior esforço na presidência do PSDB foi resgatar o legado do partido, lembrando os feitos do governo de Fernando Henrique Cardoso, citando a estabilidade da moeda, a privatização, a Lei de Responsabilidade Fiscal e os programas de transferência de renda. Para o senador, o ex-presidente Lula foi "beneficiado pela herança bendita do Cardoso". Aécio citou duas virtudes do ex-presidente petista: "Uma, manter os pilares dos fundamentos macroeconômicos (...) unificação e realização de programas sociais. A desvantagem era de que o seu uso era eleitoral", comentou o senador ao El País.

Quanto o programa Bolsa Família, Aécio considerou que ele está "enraizado" e, para o PT, representa o ponto de chegada, mas para o PSDB, o ponto de partida. "O Brasil não pode viver somente para esse benefício. Um pai não pode querer deixar o seu cartão do Bolsa Família para a criança. O PT está contente com a administração diária da pobreza. Queremos superar a pobreza. O governo tem a lógica inversa à racionalidade. Quer comemorar mais um milhão de famílias no Bolsa Família. Quero comemorar você ter um milhão a menos por terem entrado no mercado de trabalho", afirmou Aécio. 

Quanto aos escândalos envolvendo o nome de José Serra no governo da cidade de São Paulo, Aécio disse que Serra tem uma história política respeitável e os dois buscam uma unidade no partido, "porque acima de todas as diferenças que temos, há um projeto comum que é o de acabar o ciclo do PT e iniciar outro, ético, eficiente e meritocrático", justificou o senador. Ele disse ainda que o PSDB passa por uma mudança geracional. "O PSDB agora governa 52% da população e 54% do PIB brasileiro. Não espere que o PSDB tenha na próxima eleição a mesma postura defensiva que tivemos nos últimos três", revelou o candidato.

Ao ser questionado quanto à política de aprovação automática dos alunos e o projeto que está no Congresso prometendo dobrar o investimento de 5% a 10% do PIB, Aécio alegou que o país estava saindo de uma inflação de quatro dígitos quando o governo Fernando Henrique Cardoso "teve o grande mérito de acesso universal à educação". No final do mandato, 97% das crianças foram para a escola, segundo Aécio. "Queremos atingir gradualmente 10% do PIB em educação. Mas o progresso não é apenas investimento, melhoria da qualidade. Os próximos quatro anos vão ser muito difíceis para o Brasil, e precisamos de um governo forte", disse ele.

Ao destacar ao jornal El Pais que o atual governo "se contenta em administrar a pobreza", Aécio parece se esquecer - talvez por ser jovem - que o PSDB esteve no poder por dez anos.

Tags: Aécio, brasil, Eleições, Governo, presidenciais, rousseff

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