Por 2014, Dilma empossa ministros e justifica coalizões
A presidente Dilma Rousseff empossou, na manhã deste sábado, os três novos ministros do seu governo, na primeira leva da reforma ministerial visando as eleições do ano que vem. No discurso de posse, a presidente justificou a necessidade de um governo fazer coalizões. A maior razão da reforma ministerial é agraciar partidos para, em troca, receber apoio das legendas nas eleições presidenciais do ano que vem. Na sua fala, Dilma deixou claro que o PMDB é um partido importante, que sempre esteve ao lado da base governista.
“Estamos assistindo em vários lugares do mundo um processo de deterioração da governabilidade justamente pela incapacidade dos governos de construir coalizões. Vemos isso na Itália, nos conflitos sobre a questão fiscal nos Estados Unidos. Então a capacidade de estruturar coalizões para um país é vital. Eu aprendi que numa coalizão temos que valorizar quem está contigo. Esses parceiros que são companheiros que acompanham a gente numa jornada diuturna e, portanto, têm que estar com a gente nos bons e maus momentos, e nós com eles. Não acredito que seja possível esse país seja dirigido sem essa visão de compartilhamento de coalizão”, disse Dilma.
No discurso, a presidente agradeceu aos três ministros que deixaram o governo – Wagner Bittencourt, da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Mendes Ribeiro, da Agricultura, e Brizola Neto, do Trabalho – e protagonizou um momento emocionante ao lado do colega, a quem chamou de “Mendezinho”. Em tratamento contra um câncer no cérebro, Mendes Ribeiro chorou ao ser lembrado pela presidente, a quem a mandatária dedicou boa parte das homenagens.
“Com o Mendes Ribeiro, a minha ligação, além de política, tem fortes bases afetivas. Sua colaboração comigo no governo só fez crescer o respeito que ele tem. O ‘Mendezinho’ é uma pessoa de uma grande lealdade política. Ao Mendes eu vou dizer um carinho: obrigado pelo seu trabalho e, Mendes, resista às dificuldades. Nós no Brasil precisamos de você. Eu espero que você cuide da sua recuperação porque eu quero mais uma vez contar contigo. Agora tem o direito, mas, sobretudo, o dever de pensar na sua saúde porque nós todos precisamos de você. Para de andar pra baixo e pra cima”, brincou a presidente.
PMDB
O maior beneficiado com a reforma ministerial, o PMDB marcou forte presença na posse, que foi programada para ser “discreta e íntima”. Além do vice-presidente da República e presidente licenciado do partido, Michel Temer, estavam presentes os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (CE), o senador Romero Jucá (PMDB-RR), e o líder da legenda na Câmara, Eduardo Cunha (RJ).
Na noite de ontem, a presidente deu início à reforma ministerial com vistas à disputa eleitoral de 2014. O grande agraciado foi o PMDB, maior aliado do governo, que tinha cinco ministérios e ganhou a Secretaria de Aviação Civil (SAC), pasta estratégica em época de privatização dos principais aeroportos do País.
Até então controlada pelo técnico Wagner Bittencourt (sem partido), a SAC foi entregue ao PMDB em troca do apoio do partido à eleição de Fernando Haddad para o governo de São Paulo e uma forma de garantir a legenda na base governista no ano que vem. Quem entra no lugar de Bittencourt é o já ministro Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República – que será assumida pelo interino Roger Leal.
No Ministério da Agricultura, sai Mendes Ribeiro (PMDB-RS), que volta a ocupar sua cadeira na Câmara dos Deputados, e entra o também parlamentar Antônio Andrade (PMDB-MG), presidente regional do partido. Com a indicação, Dilma garante apoio ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, provável candidato ao governo de Minas Gerais.
A terceira mudança foi feita no Ministério do Trabalho, mas o PDT continuou à frente da pasta. Sai Brizola Neto, desafeto do antigo ministro Carlos Lupi (homem forte do partido), para a entrada do secretário-geral da legenda, Manoel Dias (SC). Ele já havia sido cotado para comandar o ministério quando Lupi caiu por denúncias de corrupção. Atual secretário-geral do PDT e presidente estadual da legenda em Santa Catarina, Manoel Dias é um pedetista histórico e ajudou a fundar o partido em 1980 ao lado de Leonel Brizola e da própria Dilma.

