Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

País

Depoimento de testemunhas do caso Mércia deve ser encerrado hoje

Portal Terra

O julgamento de Mizael Bispo de Souza, 43 anos, acusado pela morte da ex-namorada Mércia Nakashima em maio de 2010, entra no seu terceiro dia nesta quarta-feira. A expectativa é que sejam concluídos hoje os depoimentos das testemunhas do caso. Ainda faltam falar três pessoas arroladas pela defesa e uma do juízo. Os trabalhos estão previstos para serem reiniciados às 9h. 

Ontem, outras quatro testemunhas prestaram depoimento. Pela acusação, falaram o delegado responsável pela investigação do crime, Antonio de Olim, o investigador Alexandre Simoni Silva e o advogado Arles Gonçalves Júnior, que foi indicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para acompanhar o processo do vigia e acusado de ser cúmplice no crime, Evandro Bezerra Silva. Houve ainda o primeiro depoimento arrolado pela defesa, o da corretora de imóveis Rita Maria de Souza, que possuía uma sala no mesmo prédio em que Mizael e Mércia mantinham um escritório de advocacia. 

No primeiro dia de julgamento, outras três testemunhas de acusação falaram. Entre elas, o irmão de Mércia, Márcio Nakashima. Além dele, prestaram depoimento também o biológo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo, que analisou as algas encontradas nos sapatos do réu (compatíveis com as existentes na represa onde o corpo da vítima foi encontrado), e o engenheiro em telecomunicações Eduardo Amato Tolezani, que analisou as ligações que partiram e foram recebidas pelo telefone celular do réu no dia do crime.

Somente após o encerramento das oitivas das testemunhas é que o réu Mizael será ouvido, o que deve ocorrer amanhã. Ao contrário do primeiro dia do julgamento, ontem ele permaneceu no plenário e acompanhou os depoimentos. Após a fala do ex-policial militar reformado, o juiz Leandro 

Mizael durante julgamento pela morte da ex-namorada Mérci
Mizael durante julgamento pela morte da ex-namorada Mérci

O caso Mércia

A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos (Grande São Paulo), e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela levou um tiro no rosto, um tiro no braço esquerdo e outro na mão direita,  mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água.

O ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a investigação, Mércia namorou durante cerca de quatro anos com Mizael, que não se conformava com o fim do relacionamento amoroso. A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local, mas seu julgamento ocorrerá separadamente, em julho deste ano.

Preso em Sergipe dias depois da morte de Mércia, Evandro afirmou ter ajudado Mizael a fugir, mas alegou posteriormente que foi obrigado a confessar a participação no crime, sob tortura. Entretanto, rastreamento de chamadas telefônicas feito pela polícia com autorização da Justiça colocaram os dois na cena do crime, de acordo com as investigações. Outra prova que será usada pela promotoria é um laudo pericial de um sapato de Mizael, no qual foram encontrados vestígio de sangue, partículas ósseas, vestígios do projétil da arma de fogo e uma alga típica de áreas de represa.

Mizael teve sua prisão decretada pela Justiça em dezembro de 2010, mas se escondeu após considerar a prisão "arbitrária e injusta", ficando foragido por mais de um ano. Em fevereiro de 2012, porém, ele se entregou à Justiça de Guarulhos e, desde então, aguardava ao julgamento no Presídio Militar de Romão Gomes - enquanto o vigia permanece preso na Penitenciária de Tremembé. Mizael nega ter assassinado Mércia e disse, na ocasião, que a tratava como "uma rainha". Já o vigia afirmou, em depoimento, que não sabia das intenções do advogado e que apenas lhe deu uma carona. Se condenados, eles podem ficar presos por até 30 anos.

Tags: crime, Mércia, mizael, morte, SP

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