Jornal do Brasil

Terça-feira, 18 de Junho de 2013

País

Corretora afirma que relacionamento de Mércia e Mizael era bom"

"Eu acredito no Mizael. E não concordei com a sua prisão", disse a testemunha

Portal Terra

A corretora de imóveis Rita Maria de Souza, que possuia uma sala no mesmo prédio em que Mizael Bispo de Souza e Mércia Nakashima mantinham um escritório de advocacia, afirmou à Justiça de Guarulhos que ambos tinham um bom relacionamento público e que nunca presenciou problemas entre ambos. Ela prestou depoimento como testemunha de defesa de Mizael, que é acusado de matar Mércia em maio de 2010. O júri, que começou nesta segunda-feira, só deve ser encerrado na sexta-feira.

Durante o depoimento, a promotoria buscou desqualificar a testemunha, com a tentativa de mostrar aos jurados que ela é amiga de Mizael. Para isso, foram apresentados um abaixo-assinado que ela ajudou a distribuir, dizendo que Mizael tinha os seus direitos desrespeitados, comparáveis à época da ditadura e do nazismo, após ser decretada a sua prisão.

"Eu acredito nele. E não concordei com a sua prisão", disse ela. Rita afirmou que pegou com um irmão de Mizael uma cópia do documento e ajudou a passar para recolher as assinaturas. 

De acordo com o promotor Rodrigo Merli Antunes, a testemunha é amiga pessoal de Mizael e a sua credibilidade é baixa no processo. "Ela chegou a escrever uma carta para ele enquanto Mizael esteve preso. O que foi confirmado pela própria". 

A defesa de Mizael acredita que o depoimento ajudou a mostrar que Mizael não teria motivos para matar Mércia e que ele sempre foi cordial com a vítima.

O caso Mércia

A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos (Grande São Paulo), e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela levou um tiro no rosto, um tiro no braço esquerdo e outro na mão direita,  mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água. 

O ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a investigação, Mércia namorou durante cerca de quatro anos com Mizael, que não se conformava com o fim do relacionamento amoroso. A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local, mas seu julgamento ocorrerá separadamente, em julho deste ano. 

Preso em Sergipe dias depois da morte de Mércia, Evandro afirmou ter ajudado Mizael a fugir, mas alegou posteriormente que foi obrigado a confessar a participação no crime, sob tortura. Entretanto, rastreamento de chamadas telefônicas feito pela polícia com autorização da Justiça colocaram os dois na cena do crime, de acordo com as investigações. Outra prova que será usada pela promotoria é um laudo pericial de um sapato de Mizael, no qual foram encontrados vestígio de sangue, partículas ósseas, vestígios do projétil da arma de fogo e uma alga típica de áreas de represa.

Mizael teve sua prisão decretada pela Justiça em dezembro de 2010, mas se escondeu após considerar a prisão "arbitrária e injusta", ficando foragido por mais de um ano. Em fevereiro de 2012, porém, ele se entregou à Justiça de Guarulhos e, desde então, aguardava ao julgamento no Presídio Militar de Romão Gomes - enquanto o vigia permanece preso na Penitenciária de Tremembé. Mizael nega ter assassinado Mércia e disse, na ocasião, que a tratava como "uma rainha". Já o vigia afirmou, em depoimento, que não sabia das intenções do advogado e que apenas lhe deu uma carona. Se condenados, eles podem ficar presos por até 30 anos. 

Tags: 2010, cidade, crime, ex-namorado, perícia, são paulo

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