Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

País

SP: governo anuncia transferência de presos por mortes de PM's

Portal Terra

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, anunciou nesta quinta-feira a transferência de 12 presos acusados de envolvimento nos assassinatos de policiais em São Paulo para a Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), de segurança máxima. Segundo ele, o objetivo do deslocamento das prisões estaduais têm como foco desarticular o movimento. 

"Transferimos seis presos, de novembro à semana retrasada. E hoje ainda vamos transferir mais 12. São autores ou partícipes de homicídios contra policiais. À medida que forem sendo identificados e presos, eles serão transferidos", afirmou.

Os presos são acusados de vitimar policiais durante a onda de violência em São Paulo, que deixou, em 2012, ao menos 107 policiais militares, 19 agentes penitenciários e quatro policiais civis mortos, segundo balanço da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de São Paulo. 

Modelo da Operação Saturação será revisto

Grella afirmou também nesta quarta-feira que irá rever o modelo da Operação Saturação realizada ocasionalmente pela Polícia Militar no bairro de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista, e afirmou que a pasta "acompanha com atenção" a apuração das denúncias de uso de procedimentos violentos contra moradores na região.

Reportagem publicada hoje pelo jornal O Estado de S.Paulo relatou que uma jovem de 17 anos perdeu a visão do olho esquerdo após ter sido atingida por uma bala de borracha disparada em uma ação como essa, e informou ainda que a Corregedoria da Polícia Militar e a Delegacia Geral investigam mais de 40 denúncias de moradores sobre abusos de policiais.

"Essas situações estão sendo apuradas e não tem decisão nenhuma de (realizar uma nova) Operação Saturação em Paraisópolis. (Neste bairro) Não vai haver mais. Nós queremos um novo modelo para Paraisópolis. (...) Ela pode até acontecer em outros locais onde justifique a necessidade", disse o secretário, em entrevista, após participar de uma audiência pública na Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de São Paulo. 

A operação Saturação consiste, basicamente, em um ostensivo policiamento no bairro, com bloqueios nas ruas principais, blitzes e ronda pela região, geralmente com a ajuda da cavalaria, cães, carros, motocicletas e helicóptero, e até cerca de 500 policias militares. O foco da ação é prevenir e combater o tráfico de drogas e o crime organizado, mas foi especialmente empregado após a onda de violência que vitimou membros da polícia.

Durante cerca de uma hora, Grella apresentou aos deputados estaduais as medidas adotadas pela secretaria desde que assumiu a pasta, em novembro do ano passado, para tentar diminuir a criminalidade no Estado, como a criação do Centro Integrado de Inteligência de São Paulo (CIISP); a reestruturação no Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP); os planos de contratar mais funcionários para o Instituto Médico Legal e a Polícia Científica; a previsão de abertura de concurso para agentes de escolta - para tirar a PM dessa função, que hoje tira das ruas cerca de 1.500 oficiais; entre outras. 

Questionado sobre o que tem sido feito para desarticular o Primeiro Comando da Capital (PCC), ele também falou de ações em andamento, mas ressaltou que os resultados não chegam em curto prazo. "O crime é organizado e nós precisamos nos organizar", disse aos deputados. 

Tags: crime, organizado, PM, são paulo, violência

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