Sindicância investiga engenheira que diz ter feito plano anti-incêndio na Kiss
Uma sindicância aberta nesta quinta-feira vai investigar a engenheira Josy Maria Gaspar Enderle, que disse à polícia ter feito um plano de prevenção contra incêndios na Boate Kiss, em Santa Maria (RS). O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (Crea-RS) convocou uma comissão para apurar por que a profissional não fez um registro, chamado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), que é exigido a qualquer engenheiro ao ser contratado. Segundo o presidente do Crea-RS, Luiz Alcides Capoani, o documento - que comprovaria as atividades técnicas solicitadas a Josy Enderle na Boate Kiss - não foi enviado ao órgão regulador da categoria.
"Todo profissional que faz um projeto tem que fazer de acordo com a legislação, (fazer) a ART, que define os aspectos legais da responsabilidade técnica pelo serviço que o profissional vai fazer", disse. De acordo com Capoani, o órgão só ficou sabendo da relação entre a engenheira e a Boate Kiss por notícias em jornais.
"Ela é engenheira civil, engenheira mecânica e especializada em engenharia da segurança do trabalho", afirmou. O Crea-RS convocou cinco profissionais para a comissão, especializados nas áreas de formação de Josy Enderle.
O presidente do órgão disse que estranhou o fato de a engenheira não ter enviado a ART sobre a Boate Kiss porque ela já possui mais de 1,3 mil documentos como esse registrados. "Ela prestou muitos serviços. Estranho que, só lá na Boate Kiss, ela não fez a ART", disse Luiz Capoani.
A primeira fase da comissão tem caráter administrativo. Os engenheiros irão a Santa Maria para conversar com o delegado Marcelo Arigony, responsável pelo inquérito, além de verificar dados com o Corpo de Bombeiros e a prefeitura.
Caso a sindicância considere que houve irregularidades na atividade da engenheira, ela pode sofrer punições. "Tem três sanções: advertência reservada, verbal e cancelamento do registro", disse o presidente do Crea-RS.

