Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Maio de 2013

País

Quase 40% das escolas estaduais do RS não têm plano contra incêndio

Portal TerraAngela Chagas

O sindicato dos professores do Rio Grande do Sul (Cpers) anunciou na manhã desta terça-feira, dia 5, o resultado de uma pesquisa que aponta que 38% das escolas da rede estadual não possuem plano de prevenção contra incêndios. "Cotidianamente denunciamos isso, as condições das escolas públicas, mas o poder público não toma nenhuma providência. Espera que as tragédias aconteçam", disse a vice-presidente do Cpers, Neida Oliveira, ao citar a tragédia que deixou 240 mortos há um mês em Santa Maria.

Segundo o levantamento, em pelo menos 16% das escolas consultadas a equipe administrativa não soube informar se as instituições contam com o plano de prevenção, o que dá um percentual de mais de 50% das escolas estaduais sem nenhum ação de controle sobre incêndios. A pesquisa encomendada pelo sindicato ouviu diretores e funcionários de 355 escolas, das mais de 2 mil instituições da rede estadual. A margem de erro é de cinco pontos percentuais.

De acordo com a presidente do Cpers, Rejane Oliveira, a consulta foi baseada em uma perícia feita por um engenheiro contratado pelo sindicato no final do ano passado para verificar as condições de segurança das escolas. Ele visitou instituições de Porto Alegre, Guaíba, São Leopoldo, Rio Grande e Cruz Alta e constatou que nenhuma apresentava condições adequadas de funcionamento. "Os problemas vão desde fios da rede elétrica em péssimo estado de conservação, sistema de gás inadequado, à falta de equipamentos de prevenção", disse Neida Oliveira.

Com base neste levantamento, o sindicato decidiu fazer a consulta diretamente aos diretores das escolas. "Estávamos detectando isso antes da tragédia em Santa Maria, coisa que o governo do Estado deveria ter feito", criticou a vice-presidente. Além do problema na prevenção de incêndios, 61% dos entrevistados afirmou que as escolas não têm condição adequada de funcionamento.

Em 36% das instituições, algum setor não funciona por falta de estrutura, como laboratório de informática, biblioteca, serviço de orientação e supervisão escolar. "Queremos desmascarar a farsa do governo Tarso (Genro), essa política de espetáculo. Na realidade a situação da educação é de precariedade, iniciamos o ano letivo com um verdadeiro caos nas escolas públicas", afirmou a presidente do Cpers.

Tags: boate, mortos, RS, Santa María, Tragédia

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