Jornal do Brasil

Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

País

Damous diz que todas as ditaduras odeiam a arte e os artistas

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A exumação dos restos do poeta chileno Pablo Neruda, ordenada por um juiz que investiga se o Prêmio Nobel de Literatura foi assassinado durante a ditadura militar naquele país vizinho, deve ocorrer dentro de trinta dias. Segundo o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e presidente indicado para a Comissão Estadual da Verdade no Rio de Janeiro, Wadih Damous, a decisão judicial chilena pode revelar a verdade sobre a morte do grande poeta. "As ditaduras odeiam a arte e os artistas. Sob o autoritarismo, as obras de arte sofrem censura e os artistas, muitas vezes, são perseguidos e até assassinados", disse.

Segundo Damous, é possível que o poeta Pablo Neruda tenha sido assassinado, já que "a ditadura chilena notabilizou-se pela carta branca que concedeu a assassinos e torturadores; e Neruda, desde o primeiro momento, manifestou-se contra o golpe que depôs o presidente eleito Salvador Allende". A exumação deve ocorrer no mês de abril para confirmar se Neruda sofreu envenenamento. O poeta está sepultado ao lado de sua terceira esposa, Matilde Urrutia, no pátio de sua casa-museu de Ilha Negra, uma cidade do litoral central do Chile, situada a 120 quilômetros de Santiago.,

A investigação judicial foi aberta em meados de 2011 por causa de uma querela apresentada pelo PC, ao qual Neruda pertencia, depois que seu antigo motorista, Manuel Araya, denunciou que o poeta foi assassinado com uma injeção letal por ordem da ditadura militar no país (1973-1990). Até então, a versão oficial indicava que a morte do poeta foi causada por um câncer de próstata de que sofria fazia anos. O autor de "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada" morreu em 23 de setembro de 1973, 12 dias após o golpe de estado de Augusto Pinochet, em uma clínica privada de Santiago, e às vésperas de uma viagem que o levaria em exílio ao México.

Tags: chilena, crimes, ditadura, militares, poeta

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