Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Maio de 2013

País

Advogado de dono da Kiss chama atuação dos bombeiros de 'desastrosa'

Portal Terra

Braulio Marques, advogado de defesa de Elissandro Spohr, o Kiko - um dos sócios da boate Kiss -, em sua primeira entrevista coletiva descreveu como "desastrosa" a atuação do Corpo de Bombeiros durante o salvamento das vítimas do incêndio. Com base na declaração do criminalista e nas imagens produzidas na madrugada do dia 27 de janeiro, o Comando da Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar para investigar eventuais falhas ocorridas. 

O advogado já prestou depoimento no último dia 25 de fevereiro. Agora, os militares responsáveis pelo inquérito ouvem o relato de Kiko, que ocorre na tarde desta terça-feira na Penitenciária Estadual de Santa Maria.

O advogado criminalista Bráulio Marques, presente desde o início da construção da defesa, ressalta que o depoimento de Elissandro é fundamental para o andamento do inquérito. "Ele é um dos sócios da boate e estava lá no momento do incêndio. Elissandro entrou para buscar pessoas sem nenhum aparato de proteção, assim como tantos outros civis impulsionados pelos bombeiros. Infelizmente, naquela madrugada, os militares contaram com o apoio de populares pela falta de estrutura. Isso mostra o total despreparo do Estado", afirmou Braulio Marques, que está em Santa Maria para acompanhar o caso. 

Apresentado na tarde de ontem, o relatório produzido pela Comissão de Especialistas em Segurança contra Incêndio, formada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) do Estado, apontou uma "série de erros" que levaram ao incêndio que vitimou 240 pessoas na Boate Kiss. De acordo com o documentos, "a análise das informações disponíveis até o momento aponta como causas fundamentais para a ocorrência do incêndio a combinação do uso de material de revestimento acústico inflamável, exposto na zona do palco, associada à realização do show com componentes pirotécnicos".

Entre as causas as causas determinantes da tragédia, conforme apontaram os especialistas, estiveram a falha no funcionamento dos extintores de incêndio, a dificuldade de evacuação, a deficiência nas saídas e na iluminação de emergências, a falta de um mecanismo para retirar a fumaça e a utilização de materiais inadequados, como a espuma emborrachada que queimou e liberou o gás cianeto, que intoxicou a maior parte das vítimas.

Tags: boate, mortos, RS, Santa María, Tragédia

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