Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Maio de 2013

País

MG: julgamento do goleiro Bruno começa com tumulto no plenário

Portal TerraMarcellus Madureira

Contagem - O primeiro dia de julgamento do ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, começou tumultuado, nesta manhã de segunda-feira, no Fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Como já era esperado, defesa e acusação trocaram farpas logo no início dos trabalhos.

Nas questões preliminares, o advogado Lúcio Adolfo, defensor do ex-atleta, fez alguns pedidos para a magistrada e deu algumas afirmações fortes. O assistente da acusação, no entanto, José Arteiro, não gostou das palavras e um bate boca iniciou. “Você precisa ter mais educação, respeitar a juíza, respeitar os outros advogados e todos que estão aqui”, disse Arteiro.

Após cinco minutos de discussão, a juíza Marixa Fabiane conseguiu acalmar os ânimos e os trabalhos retornaram. Neste momento, Lucio Adolfo teve novamente a palavra e pediu que o atestado de óbito, expedido no mês passado onde afirma que Eliza teve morte por esganadura, fosse retirado, algo negado pela magistrada.

Pouco depois Ércio Quaresma também pediu a palavra e disse que precisa do acervo audiovisual, para fazer a defesa de Marcos Aparecido do Santos, o Bola, réu que será julgado somente em abril. A solicitação também foi negada pela juíza.

Em mais uma tentativa de atrapalhar os trabalhos, o defensor de Bruno pediu que o promotor Henry Vasconcelos trocasse de lugar, mas obteve outra resposta negativa da magistrada. “O senhor sabe que a promotoria sempre senta ao lado direito e vamos manter assim”, disse Fabiane.

Às 11h40 os réus foram autorizados e entraram no plenário. Bruno surpreendeu a plateia, cerca de 120 pessoas presentes, se mostrando muito magro. Sempre com a cabeça para baixo, o ex-goleiro em nenhum momento levantou o rosto. 

Por volta do meio-dia, após a escolha dos jurados, sendo cinco mulheres e dois homens, o ex-defensor rubro-negro começou a chorar e abriu a bíblia. Em seguida, a juíza fez uma pausa de uma hora para almoço e descanso. Os trabalhos serão reiniciados à tarde.  

O Caso Bruno

Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno. 

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A então mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo. 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado. 

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver.

Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  No dia 22 de novembro de 2012, durante depoimento de cinco horas, Macarrão responsabilizou Bruno pelo sumiço de Eliza. Dois dias depois, o júri condenou Luiz Henrique Romão, o Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos.

O julgamento de Bruno e de Dayane Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi remarcado para março de 2013. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013.

Tags: bruno, crime, eliza, Goleiro, julgamento, samudio

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