Delegado de Santa Maria pode ir à Argentina debater incêndio em boate
O delegado regional da Polícia Civil em Santa Maria, Marcelo Arigony, que investiga o incêndio na Boate Kiss, sinalizou nesta quarta-feira que pretende ir à Argentina para colher informações a respeito de um incêndio semelhante ocorrido em 2004 em uma casa noturna de Buenos Aires. Depois de um encontro casual na rua com integrantes da Associação de Parentes das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia em Santa Maria (AVTSM), no centro da cidade, Arigony convidou o grupo para um encontro em seu gabinete, no final da tarde desta quarta-feira.
Participaram da reunião as três mães argentinas que tiveram parentes mortos ou que sobreviveram ao incêndio na boate Cromañon, em Buenos Aires, em dezembro de 2004, e que visitam Santa Maria para prestar solidariedade a quem perdeu entes queridos na Boate Kiss, no dia em que a tragédia completa um mês. Elas foram ciceroneadas pelo presidente e pelo vice da AVTSM, Adherbal Ferreira e Leo Becker, respectivamente.
Arigony, apresentado às mães como "comissário" (delegado em espanhol), expôs ao grupo como está o andamento das investigações sobre o caso da Boate Kiss. Ele também aproveitou o encontro para pedir às argentinas um auxílio com contatos relacionados a autoridades policiais que investigaram o caso da Cromañon. A intenção é realizar uma viagem à Argentina para uma troca de experiências. O advogado da associação "Familias por la Vida", que reúne familiares e sobreviventes da tragédia que matou 191 pessoas em Buenos Aires, deve chegar a Santa Maria na sexta-feira. Como foi ele quem mais teve contato com a polícia argentina durante a investigação, a expectativa é que ele possa ajudar.
Estão visitando Santa Maria Silvina Gomez, que sobreviveu ao incêndio, mas perdeu o marido; Nilda Gómez, que perdeu o filho no incêndio da boate argentina; e Lila Tello, mãe de uma sobrevivente. As três desembarcaram de ônibus em Santa Maria no início da tarde desta quarta-feira e foram recebidas por dirigentes da AVTSM. O primeiro compromisso do grupo argentino foi uma ida até a frente da boate Kiss.
Como em outras ocasiões, quando recebeu deputados federais e estaduais e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Arigony abriu as portas da Delegacia Regional de Polícia e se colocou à disposição para esclarecimentos.

