Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Maio de 2013

País

CGU aponta desperdício de recursos em programa de Haddad no MEC

Portal Terra

Uma auditoria feita pela Controladoria Geral da União (CGU) apontou falhas na execução de um programa do Ministério da Educação no período em que o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, comandou a pasta. De acordo com a CGU, o MEC desperdiçou recursos e negligenciou as ações do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo), que tem como finalidade levar às escolas públicas computadores e recursos digitais.

No relatório, os auditores constataram que, dos 56,5 mil equipamentos que deveriam ter sido entregues entre janeiro de 2007 e junho de 2010, apenas 12,6 mil estavam em operação nas escolas. O restante permaneceu guardado em caixas por até três anos.

“Observa-se que apesar das escolas no momento do cadastro para o recebimento de laboratórios declararem a existência de infraestrutura adequada para instalação dos equipamentos, a falta de tal requisito motivou 66,07% das ocorrências de laboratórios entregues e não instalados, o que demonstra fragilidade nos controles da gestão por parte dos Estados e dos municípios que receberem o laboratório do Proinfo", diz o relatório.

O relatório ainda aponta que a falta de capacitação de professores e técnicos, que deveria ser oferecida pelo Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE), é uma falha que atinge mais de 15,3 mil laboratórios. Os auditores ainda encontraram problemas na estrutura física dos laboratórios, como goteiras, mofo, infiltrações, rachaduras, além de instalações elétricas irregulares.

"Conclui-se que apesar dos avanços proporcionados pelo Proinfo na inclusão digital, o uso pedagógico da informática nas escolas públicas de educação básica não foi plenamente atingido, pois a utilização completa dos laboratórios, com a infraestrutura adequada e com profissionais devidamente capacitados, atendendo alunos e comunidade, encontra obstáculos relevantes", conclui o relatório. A CGU aponta ainda, diversas ações que precisam ser executadas para garantir o pleno funcionamento do programa.

Em nota, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pela execução do programa no MEC, disse que a estrutura adequada e a capacitação dos professores são de responsabilidade dos Estados e municípios, e não do governo federal. O órgão disse ainda que a CGU visitou apenas 196 escolas e que os dados são resultados de uma projeção.

"A auditoria da CGU visitou 196 escolas, e num processo estatístico fez uma projeção sobre a amostra, que se fosse mantida a mesma proporção apontaria para os grandes números apresentados no referido relatório. Outro fato importante é que nas 196 escolas visitadas existiam escolas rurais e urbanas, que possuem diferentes pactos contratuais e, portanto, leva a discrepâncias", disse o FNDE.

Tags: contas, controladoria, geral, haddad, parecer, união

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