Suspeita de furto de iPad de deputado em Congonhas mobiliza PF
A Polícia Federal (PF) foi acionada na manhã desta terça-feira para tentar localizar um tablet do deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) que teria sido furtado no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. De acordo com Polícia Federal, Protógenes, que é ex-delegado da PF, teria perdido seu iPad na sala de embarque da TAM, antes de seguir viagem para Brasília.
O deputado afirmou que usou seu tablet pela última vez ao acessar o terminal de check-in automatizado da TAM. "Eu fui naquele totem para fazer o check-in. Eu peguei o iPad para ver o número do e-ticket, para processar a segunda via do check-in. Após o procedimento, esqueci o tablet no totem. Depois, ao me dar conta, quando eu voltei não estava lá mais", relatou Protógenes.

No balcão de informações da companhia, o deputado ouviu relatos de que funcionários da limpeza do aeroporto haviam encontrado o iPad, que possivelmente teria sido encaminhado para o setor de achados e perdidos da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). "Fui falar direto com o pessoal da limpeza, que falaram que não acharam iPad nenhum. Depois fui até o achados e perdidos e, de novo, informaram que não tinha chegado nenhum iPad. Relatei que os funcionários da TAM tinham recebido informação que o pessoal da limpeza tinha achado o equipamento, e esse funcionário da Infraero ligou, então, para a TAM. A TAM informava que tinha um iPad nos achados e perdidos da bagagem da companhia", disse o deputado.
No local indicado pela companhia havia um tablet do mesmo modelo do deputado, mas não era o que ele havia deixado no totem. "Realmente me apresentaram um iPad que não era meu. Informei que não era meu e me dirigi aos colegas da Polícia Federal, porque eu percebi então que tinham furtado o iPad."
O deputado, então, solicitou que seus ex-colegas analisassem as imagens das câmeras de segurança do aeroporto para tentar identificar o momento em que o equipamento teria sido furtado. Além disso, informou aos policiais que seu tablet era equipado de um dispositivo que informava sua localização remotamente.
Durante o voo, a Polícia Civil identificou que o tablet havia sido desligado dentro do finger de acesso ao voo com destino a Brasília, o que indicaria que o equipamento e, possivelmente, o suspeito de furtá-lo, estariam a bordo da aeronave. "Durante o voo o comandante comunicou que alguém tinha subtraído um tablet no saguão de embarque. Disse que a TAM também estava colaborando com a PF. Quando a aeronave aterrissou, veio uma equipe da Polícia Federal e avisou que nenhum passageiro poderia descer. Vieram até mim e falaram: 'o iPad do senhor foi localizado e (o suspeito) é alguém que entrou na aeronave'", afirma Protógenes.
De acordo com Protógenes, os passageiros foram orientados a utilizar uma saída alternativa e passar por um equipamento de raio-x. Apesar dos transtornos, o deputado afirma não ter percebido qualquer animosidade por parte dos demais passageiros. "As pessoas foram muito educadas, muito solidárias. Eu justamente me dirigi até a porta e esperei todos irem embora, para pedir desculpas", afirmou.
Enquanto os passageiros deixavam a aeronave, o deputado seguiu procurando seu tablet no interior do avião, "caso alguém tivesse esquecido ele por lá", ironizou. Ao desembarcar, foi informado pelos policiais federais de São Paulo de que as imagens de segurança já haviam sido localizadas. "Aí eu pedi que fizessem o mais breve possível aquela abordagem, já que algumas pessoas que não tinham nada a ver com o episódio, obviamente, se incomodariam. Aí eu disse: 'se as imagens já estão sendo investigadas, manda essas imagens aqui para Brasília, vamos cruzar com as imagens do desembarque e, a partir desse cruzamento, encontrar quem subtraiu'", afirmou.
A assessoria da Polícia Federal afirmou que a abordagem aos passageiros foi um procedimento de segurança padrão, já que o possível crime teria sido cometido em área de responsabilidade da PF. No desembarque em Brasília, os passageiros foram levados para uma saída alternativa e todos tiveram de passar por um equipamento de raio-x. De acordo com a PF, trata-se de um protocolo natural em casos de problemas de segurança envolvendo voos. O iPad, entretanto, não foi localizado e ninguém foi detido. A assessoria da TAM informou que a companhia foi acionada pela Polícia Federal para colaborar com as investigações, mas desconhecia os detalhes da ocorrência.
Dados sigilosos
Célebre no cenário nacional após comandar as investigações da Operação Satiagraha, que levou à prisão do banqueiro Daniel Dantas em 2008, o deputado Protógenes Queiroz não descarta que o crime esteja ligado à sua atuação como delegado e parlamentar. "Tudo é possível. Como eu fui delegado por 15 anos na PF, investigando grandes máfias, grandes organizações. Sofri quatro atentados, já tive carro que explodiu. Então essas pessoas vivem 24 horas atrás de mim tentando fazer coisas paralelas a fim de ver o que eu estou investigando", afirmou.
Segundo o deputado, o tablet continha dados sigilosos referentes a duas investigações que ele vem comandando como deputado. "Eu agora estou à frente de duas investigações importantes. Uma de combate ao terrorismo, de investigar o financiamento que tem a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no projeto antiterrorismo no Brasil. E sou também relator da CPI de combate ao crack. E eu venho coletando dados desde que eu entrei em exercício", concluiu.

