Jornal do Brasil

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

País

Gil Rugai matou por ira e sentimento de vingança, diz promotor

Portal Terra

O promotor Rogério Leão Zagallo é o encarregado pela acusação de Gil Rugai, 29 anos, que vai a julgamento nesta segunda-feira pela morte do pai e da madrasta, em 2004, na zona oeste de São Paulo. Para ele, as motivações para os assassinatos são "ira e sentimento de vingança". Zagallo acredita que o crime foi premeditado e partiu da descoberta do pai, Luiz Carlos Rugai, 40 anos, de um desfalque de mais de R$ 100 mil na produtora de sua propriedade. Gil trabalhava no local e seria o responsável pelo desvio. O casal foi morto em casa, a tiros. Alessandra de Fátima Troitiño, 33 anos, foi a primeira atingida pelos disparos. Luiz Carlos foi morto em seguida.

"Não tem surpresa. A minha certeza decorre de alguns elementos que foram produzidos nas provas no processo", diz o promotor. Segundo ele, Rugai é o único que teria motivo para atentar contra a vida do pai naquele momento, e Luiz Carlos temia por sua segurança. Há relatos de que Luiz Carlos teria trocado a fechadura das portas e reforçado o sistema de segurança da residência nos dias que antecederam o crime.

"Uma semana antes (das mortes), foi descoberto o desfalque, inclusive com a falsificação de cheques. Por conta disso, eles romperam a sociedade e ele (Gil) foi posto para fora de casa e da empresa. Isso desencadeou ira e sentimento de vingança. O pai reforçou a segurança da residência justamente por receio. Foi a crônica de uma morte anunciada", disse.

De acordo com o promotor, a única porta que não teve a fechadura trocada foi a de uma entrada secundária, que seria justamente por onde assassinos tiveram acesso ao imóvel. O promotor diz que tem convicção de que Rugai não agiu sozinho no dia do crime. Até hoje, essa segunda pessoa não foi identificada.

"Eles entraram sem arrombar a porta. Os cachorros da casa surtavam quando entrava alguma pessoa desconhecida. Na saída, o vigia do local identificou Gil Rugai, mas não a segunda pessoa. Dois entraram e dois saíram. E um é o Gil", afirma.

Após a morte de Alessandra, Luiz Carlos se escondeu em uma sala de TV, que foi arrombada com chutes. "Temos o laudo que atesta que a marca do pé que está na porta é compatível com a de um calçado utilizado pelo réu. Vamos mostrar isso em plenário", diz. Parte da porta em que está a marca será apresentada ao júri.

O fato de a arma do crime ter sido encontrada 18 meses depois do crime - em uma caixa de águas pluviais no imóvel onde Gil Rugai mantinha um escritório de sua propriedade - também é uma prova contundente, segundo o promotor. "O encontro se deu de uma forma fortuita. Ele se desfez da arma antes de ser preso. A arma foi localizada, foi realizado o confronto balístico e deu positivo. No quarto do réu, também foi encontrada uma cápsula compatível com a que foi utilizada no dia do crime", afirma o promotor.

Zagallo diz que vai ao júri com a certeza de que Gil Rugai participou da morte do casal. "Justiça seja feita. Não tenho dúvida da participação dele. Vamos provar isso em plenário", afirma.

 

Tags: julgamento, jurados, madrasta, morte, pai

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