Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

País

CE: às vésperas de período chuvoso, seca ainda preocupa sertanejos

Portal Terra

A pior seca dos últimos 30 anos continua a deixar sertanejos e agricultores angustiados no interior do Ceará. O período de chuvas regular no Estado começa oficialmente, de acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), em fevereiro, mas a perspectiva ainda não é boa. O prognóstico oficial divulgado pela companhia mostra que a probabilidade de chover abaixo da média é de 45%, uma notícia nada boa para quem ainda sofre com a lavoura seca e os rebanhos magros e doentes.

A Companhia de Gestão de Recursos Hídricos do Estado também aponta para uma situação delicada no armazenamento de água no Ceará. Os reservatórios, popularmente chamados de açudes na região Nordeste, estão com 46,5% da capacidade. Pelo menos 68 deles já registram um volume inferior a 30%, o que pode levar a uma crise no abastecimento urbano de cidades como Tauá e Madalena, no sertão central cearense.

De acordo com a Defesa Civil do Ceará, pelo menos 177 municípios continuam em situação de emergência, alguns deles desde maio do ano passado, quando o período chuvoso também não foi suficiente para atender o trabalhador do campo ou para repor a água dos açudes.

A operação Carro Pipa do governo federal atende 1.186 comunidades, mas os sertanejos continuam a denunciar que a água, disponibilizada apenas para o consumo humano, não é suficiente para outras atividades básicas, como a lavagem de roupas ou menos para manter os animais domésticos.

O drama dos sertanejos cearenses começou ainda em 2012. Em maio do ano passado a Funceme informou que a seca que atingiu o Ceará no período foi a sexta pior em 63 anos. De acordo com os pesquisadores, a estação chuvosa ficou 50,7% abaixo da média histórica, com apenas 299,2 milímetros, quando o esperado eram pelo menos 606,4 milímetros.

Com uma temperatura que ultrapassa os 40°C durante o dia e uma umidade relativa do ar próxima a 30% a seca tem devastado a produção rural. No interior do estado a seca provocou perdas de até 100% em vários municípios e comprometeu a fonte de renda de milhares de agricultores. Um levantamento do governo do Ceará, em 2012, apontou que o prejuízo com as perdas na lavoura, causadas pela falta de chuva, superaram  R$ 1 bilhão.

Tags: abastecimento, alimentos, defesa civil, estiagem, funceme

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