Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Maio de 2013

País

Tragédia no RS: no máximo cinco pacientes usariam 'pulmão' externo

Portal Terra

"Convocado" pelo Ministério da Saúde para ajudar as vítimas do incêndio na boate Kiss, de Santa Maria, o médico brasileiro Marcelo Cypel chegou neste domingo ao aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, e foi diretamente ao Hospital de Clínicas para avaliar pacientes. Cypel, que trabalha na Universidade de Toronto, no Canadá, vai ajudar com sua experiência no uso do chamado suporte pulmonar extracorpóreo - um equipamento que faz o trabalho de respiração do corpo, diminuindo o esforço dos pulmões. Segundo o especialista, após conversas com os médicos dos hospitais onde se recuperam os pacientes, ele avalia que poucos precisarão passar pelo procedimento.

"É uma 'grande minoria' de pacientes que deve precisar. Atualmente tem 35 pacientes, mais ou menos, entubados ainda. Desses, eu diria que no máximo cinco vão precisar (do equipamento)", diz o especialista, que ainda vai avaliar pessoalmente as vítimas. O médico afirma que o equipamento é usado comumente em bebês e crianças, mas dificilmente em adultos - e é por isso que ele vem ajudar os médicos brasileiros com sua experiência.

O equipamento usa um tubo que tira o sangue, o oxigena e remove o gás carbônico - basicamente, o mesmo trabalho do pulmão no corpo. Cypel explica que a ventilação mecânica pode forçar o órgão e causar lesões (geralmente não permanentes) - mas somente em casos muito graves. Com o uso do procedimento extracorpóreo, a recuperação é acelerada.

Em casos ainda mais complicados, os órgãos podem não dar conta. "Em algumas situações, o pulmão, mesmo em ventilação mecânica, ele não é suficiente para manter o paciente vivo. A colocação basicamente salva o paciente. Então, você tem basicamente duas opções: uma é para acelerar a recuperação e a outra é para o paciente que não tem outra opção", explica.

Cypel explica esse procedimento passou por uma grande evolução nos últimos anos. Antes, o equipamento carregava um risco maior de infecção e de sangramento. Hoje, os médicos conseguem utilizar uma quantidade menor de anticoagulantes (o que diminui o risco de sangramento) e apenas um tubo para retirar e devolver o sangue ao corpo (com uma chance menor de infecção).

O médico diz que vai visitar pacientes em hospitais de Porto Alegre. Na terça-feira, ele avalia as vítimas internadas em Santa Maria.

Tags: boate, mortos, RS, Santa María, Tragédia

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