Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Maio de 2013

País

RS: espuma do isolamento acústico foi comprada em loja de colchões

Portal Terra

A espuma usada no isolamento acústico da Boate Kiss, em Santa Maria, onde mais de 230 pessoas morreram em um incêndio, foi comprada em uma loja de colchões.

Segundo Flávio Boeira, proprietário do estabelecimento que vendeu o material para funcionários da casa noturna, a espuma é vendida livremente por R$ 100 o metro quadrado. "Me ligavam, encomendavam as lâminas, eu encomendava para a fábrica e eles vinham retirar aqui. Isso foi feito em 2011, eu tenho as datas, e em 2012. Foram três lâminas em cada vez", afirmou Boeira. As informações são do Jornal Hoje.

O comerciante já prestou depoimento à polícia e encaminhará as notas fiscais do fabricante que forneceu o produto. Segundo Flávio, a espuma é vendida para vários estabelecimentos, de igrejas a consultórios dentários. "Nunca se soube que era proibido o uso. Tudo que eu tenho na loja é feito desse material. Acredito que daqui pra frente isso será um divisor de águas. Acredito que alguém em sã consciência não irá utilizar como isolamento acústico", conta o comerciante.

Em entrevista veiculada no Fantástico e divulgada por seu advogado, Jader Marques, Kiko afirmou que a espuma foi colocada por indicação do engenheiro Miguel Angelo Pedroso. "As opções eram gesso ou espuma. A espuma eu achava horrível, muito feio. Eu optei pelo gesso. Porém, continuou o barulho. Eu voltei a chamar o Pedroso, pra gente trocar uma ideia, ver o que fazer. A gente botou espuma e madeira por cima, concreto, e aí, por fim, espuma. Eles queriam que eu botasse espuma em toda a boate. Mas eu botei só no palco", disse. O engenheiro se defendeu: "Eu tenho uma quantidade grande de projetos acústicos e de laudos acústicos, e jamais, em nenhum deles, eu aconselhei a utilizar espuma de borracha", afirmou.

Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade.

O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária. Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas.

A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos.

Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Tags: emergência, engenheiro, gurizada, projetos, saídas, Tragédia

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