Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Maio de 2013

País

Crea-RS defende proibição de pirotecnias em locais fechados

Portal TerraFernando Diniz

Depois da tragédia que matou mais de 230 pessoas na Boate Kiss em Santa Maria, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (Crea-RS)l divulgou nesta segunda-feira um relatório técnico no qual recomenda adoções de medidas urgentes no Estado. 

O órgão sugeriu um decreto do governo do Estado ou do Corpo de Bombeiros para, provisoriamente, obrigar a apresentação de planos de segurança por estabelecimentos, a instalação de alarmes contra incêndio e proibir shows pirotécnicos em locais fechados. 

O decreto teria validade até a edição de um Código Estadual de Segurança Contra Incêndio e Pânico, documento defendido pelo conselho. Entre as medidas urgentes destacadas no parecer também está a proibição de licenças provisórias de atividades de risco que não possuam alvarás dos Bombeiros. A nota do Crea também defende treinamento de funcionários de estabelecimentos para situações de emergência. 

Para o conselho, as normas brasileiras "não tratam adequadamente as questões relativas ao controle de fumaça" e da certificação de materiais para  situações de incêndio. "A falta de uniformidade e fragmentação de informações entre normas, decretos estaduais, leis municipais e instruções técnicas, causa confusão e dificulta a verificação de atendimento a todos os itens", diz o parecer. 

Em Santa Maria, além do revestimento de espuma que provocou uma fumaça tóxica, da falha do funcionamento dos extintores e da dificuldade de evacuação do local, o Crea chamou atenção para problemas na iluminação de emergência. "Como o funcionamento e energia não caiu nos primeiros momentos, a iluminação de emergência, embora existisse, não cumpriu seu papel. É necessário alterar o funcionamento desses dispositivos para que sejam acionados não só em caso de falta e luz, mas também se houver obstrução ótica.

Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Tags: boate, Incêndio, kiss, morte, Sul, Tragédia

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