Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Maio de 2013

País

Eleição no Senado: PMDB defende Renan e opositores citam denúncia

Gurgel confirma denúncia contra senador alagoano

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O Senado realiza neste momento a eleição de seu novo presidente. Diversos senadores já se pronunciaram sobre a disputa, que envolve os candidatos Renan Calheiros (PMDB-AL) e Pedro Taques (PDT-MT). Entre as atribuições do presidente do Senado está convocar e presidir as sessões conjuntas do Congresso Nacional, que reúnem deputados e senadores.

A candidatura de Renan foi defendida pelo senador Vital do Rego Filho (PMDB-PB). Ele lembrou que Renan foi escolhido por aclamação e tem o apoio do partido para assumir o cargo. “E o PMDB é o maior representante, proporcionalmente, das aspirações legítimas da população brasileira”, disse.

Já os senadores Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), João Capiberibe (PSB-AP) e Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) defenderam a eleição de Pedro Taques para o cargo, e declararam o apoio unânime do partido a sua candidatura. “Quero a mudança, não podemos aceitar o jogo de cartas marcadas”, disse Capiberibe.

Os senadores do PSB se preocupam com o processo contra Renan que poderá ser aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Gurgel confirma denúncia contra Renan

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, confirmou nesta sexta-feira que denunciou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de peculato (quando servidor utiliza o cargo para desviar dinheiro público), falsidade ideológica e uso de documento falso.

Gurgel disse que a acusação de peculato contra Renan está baseada, “essencialmente”, no suposto uso de notas frias para comprovar despesas da verba de representação do gabinete. O uso de recursos desse benefício tem de ser justificado com comprovantes dos gastos.

Conforme Gurgel, os documentos apresentados na prestação de contas de Renan não foram utilizados com a finalidade indicada nas notas fiscais.

Gurgel também comentou nesta sexta sobre os motivos de o processo contra Renan estar protegido por segredo judicial. O procurador-geral ressaltou que há informações no inquérito obtidas por meio da quebra de sigilo fiscal e bancário do parlamentar e de empresas envolvidas na suposta fraude.

Renan Calheiros renunciou à presidência do Senado em 2007 para evitar um processo de cassação, e o mesmo tema volta a ser usado: a suspeita de uso de notas fiscais frias para justificar renda no pagamento da pensão de uma filha.

“É o mesmo partido dominando o Congresso Nacional, desequilibra a força entre os partidos”, completou Valadares, referindo-se ao fato de que o PMDB também deve indicar o presidente da Câmara para os próximos dois anos.

O líder do PMDB no Senado, Eunicio Oliveira (CE), defendeu Renan e citou o processo de mudanças administrativas do Senado iniciadas pelo atual presidente, José Sarney, também do PMDB.

O senador Sérgio Souza (PMDB-PR) defendeu o principio da proporcionalidade, segundo o qual a maior bancada deve indicar o presidente do Senado. O PMDB tem 20 dos 81 senadores. Além disso, o senador ressaltou que as denúncias contra Renan são relacionadas a fatos de sua vida particular, e não de sua vida política.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) declarou o apoio de seu partido a Pedro Taques, e entregou uma carta de compromissos que o PSDB espera sejam respeitados pelo próximo presidente do Senado. “Nós oferecemos razões para o achincalhe permanente do Congresso, e isso precisa mudar”, disse.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS), considerado um dos independentes do PMDB, relembrou o processo contra Renan, e fez um apelo pela renúncia a sua candidatura. “Poderíamos ter um presidente do Senado processado pelo Supremo, e podemos evitar isso”, disse.

O senador Lobão Filho (PMDB-MA) reforçou a escolha unânime do PMDB pelo nome de Renan, em uma reunião em que apenas Simon não participou. “Não há mais vestais no Senado, o último que tentou isso foi destroçado pela imprensa”, disse Lobão Filho, referindo-se ao ex-senador Demóstenes Torres, que atacava políticos envolvidos em denúncias, mas ele mesmo acabou envolvido com criminosos e foi cassado.

Agência Câmara

Tags: cargo, Disputa, eleição, federal, senado

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