Simon, no aniversário, nutre a expectativa do recuo de Renan Calheiros
Ao completar 83 anos, senador gaúcho mantém sua trajetória na defesa da ética pública
O senador Pedro Simon (PMDB-RS), um homem de fé Franciscana, completa nesta quinta-feira (31) seus 83 anos e nutre a grande esperança de receber como presente, na sexta-feira, a confirmação de uma expectativa sua: antes do início do ano legislativo, seu colega de Senado e de partido, Renan Calheiros (PMDB-AL) renunciará à disputa pela presidência da casa.
Senador desde 1978 - trajetória interrompida entre 1985 e 1990, quando foi ministro da Agricultura e governador do Rio Grande do Sul - ele foi político pelo chamado MDB autêntico e membro fundador do atual PMDB. Tem uma história dentro do partido e da política, respeitada por todos que o conhecem e uma trajetória firme, sempre na defesa do estado de Direito, da democracia e da ética pública.
Hoje, no entanto, questiona o distanciamento do que chama de "MDB histórico" dos seus compromissos originais. É inimigo declarado dos principais caciques da legenda. Entre eles, José Sarney (AP), atual presidente do Senado, e Renan Calheiros, favorito a assumir o cargo. Para Simon, a situação do colega, depois da denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, é insustentável:
"Ele deve renunciar à disputa. A questão é tão delicada que Renan não tem como se manter. O esperado é ele abrir mão, porque o governo não pode arcar com uma crise em um ano com tantas matérias importantes que precisam ser votadas. Seria uma agenda negativa para o Senado, pois a instituição seria questionada pela imprensa o tempo todo sobre isso", opina.
Ele acredita que a possível eleição de Calheiros geraria "uma crise de poder que deixa o Senado em uma posição delicada e triste". Por isso, voltou a lançar o nome do peemedebista Luiz Henrique (SC) como uma alternativa de consenso, pois, explica, é um quadro que conta com a simpatia "da presidente Dilma, do vice-presidente Michel Temer e até mesmo da oposição".
Mesmo mantendo o olhar crítico para o Senado e para o próprio partido, Simon não perde a esperança em um futuro melhor para a política brasileira. Para ele, 2012 foi um ano positivo, que deixou um legado importante para a ética e o combate à corrupção:
"Seria fundamental se pudéssemos dar continuidade em 2013 às coisas boas do ano que passou, o julgamento do mensalão e a Lei da Ficha Limpa. Temos que continuar na luta pela reforma política - que todo mundo diz que quer fazer, mas não faz - e também pela reforma tributária. Temos cinco meses para atender à decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o Fundo de Participação dos Estados e é nosso dever cumprir", explica.
O senador também crê em um ano mais positivo, do ponto de vista econômico, com um crescimento satisfatório e inflação sobre o controle. Mas, em sua opinião, é a eleição desta sexta-feira que pode mudar a imagem da política para a população:
"Temos que ter uma motivação mais elevada para nossas decisões. O que não pode é o Senado ficar preso ao que um grupo de líderes decidir, com base em liberação de emendas parlamentares e loteamento de cargos. Essa é a imagem que a população quer ver no Parlamento", conclui.
