Polícia retém câmeras de vítimas do incêndio em boate para perícia
Os familiares das vítimas e os sobreviventes do incêndio começaram a retirar na 1ª Delegacia de Polícia de Santa Maria os pertences deixados na Boate Kiss durante a tragédia que matou 235 pessoas na madrugada do último domingo. A polícia, no entanto, não está liberando as câmeras fotográficas das vítimas. Eles deixam as famílias olharem os equipamentos, mas estão preservando para a perícia.
A mãe de Laureane Salapata Silva, uma das jovens que perdeu a vida na tragédia, foi hoje à delegacia recuperar os pertences da filha. "Ela era muito alegre. Está muito difícil, muito difícil", disse Janete, moradora de Santo Ângelo.

A mãe conta que a filha entrou aos 16 anos no curso de Terapia Ocupacional da UFSM. A menina chegou a hesitar ir à festa organizada por acadêmicos. "Ela disse que tinha que estudar. Aí as colegas conseguiram um ingresso e foram lá buscar", contou. Mesmo depois de ter chegado à maioridade, ainda pedia autorização para Janete para sair.
"Ela me ligou e perguntou se podia ir à boate. Eu disse: filha, tu tens 18 anos, eu não posso proibir, mas tu sabes que teu pai não gosta que tu vá a boates", recordou a mãe, chorando muito. Duas amigas de Laureane seguem internadas. Outra amiga morreu e foi enterrada em Teutônia (RS).

