Dono mudou teto da boate Kiss sem autorização, diz polícia
O proprietário da Boate Kiss, Elissandro Spohr, o Kiko, adotou medidas e modificou o projeto original da casa noturna, aprovado pela prefeitura em outubro de 2010 e pelos bombeiros em agosto de 2011, segundo novos depoimentos e documentos obtidos pela Polícia Civil de Santa Maria (RS).
Sem autorização, foi instalada espuma inflamável no teto como isolante acústico, de uso vetado por lei, por um funcionário em julho, após abaixo-assinado de 87 vizinhos contra o barulho. A fumaça tóxica da espuma foi a principal causa das mortes.
Além disso, dois meses depois, o dono construiu um anexo de mais de 230 metros quadrados que não consta da planta de 639,7 metros quadrados aprovada em 4 de março de 2010 pela Secretaria de Controle Urbano e Mobilidade. A obra ampliou em 36% o tamanho da casa.
O advogado de Spohr, Jader Marques, disse que o uso da espuma inflamável foi indicado por uma empresa. "Preciso ter a certeza de tudo para dizer nomes, mas não foi o Kiko que teve a ideia de comprar a espuma, ele teve assessoria técnica".
Marques, porém, admitiu que a colocação da espuma não foi comunicada ao Ministério Público Estadual, com quem fora assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em julho. No projeto do MPE, só havia duas camadas de isolamento, uma de gesso e outra de cera com vidro. A espuma foi colocada como uma terceira camada.

