Ministério Público deve pedir prisão dos donos da boate Kiss
Integrantes da banda Gurizada Fandangueira também podem ser presos
O Ministério Público analisa a possibilidade de pedir a prisão dos donos da boate Kiss, de integrantes da banda Gurizada Fandangueira e de outros envolvidos na tragédia ocorrida na madrugada de domingo, na cidade gaúcha de Santa Maria, que deixou pelo menos 231 mortos. A promotora criminal de Santa Maria, Waleska Flores Agostini, estuda desde o final da tarde deste domingo um possível pedido de prisão.
Os sócios da boate são Mauro Londero Hoffmann e Elissandro Callegaro Spohr. O sanfoneiro da banda Gurizada Fandangueira, Danilo Brauner Jaques, de 23 anos, foi um dos mortos na tragédia.
Em entrevista ao jornal Zero Hora, o guitarrista da banda, Rodrigo Martins, 32 anos, ferido no incêndio, confirmou que, na quinta música, o grupo usou o sputnik (sinalizador). Na metade da música seguinte, ele viu que começou a pingar e, quando olhou para o teto, tinha uma chama na espuma. "Pareciam umas aranhazinhas se mexendo", disse.






















Segundo ele, o sinalizador foi lançado pelo auxiliar de palco, com um controle remoto. "Foi na hora do gaitaço, para produzir um efeito. O sputnik fica no chão e produz uma chama de mais ou menos 1m70cm. Nunca houve problema", acrescentou.
Rodrigo disse ainda que um segurança tentou apagar o fogo com um extintor, mas o equipamento não funcionou.
"O pessoal que estava na frente, as gurias, nossas fãs, se salvaram, porque saíram logo. Mas eu cheguei a ser atropelado e inalei fumaça. Caí, pisaram no meu pescoço, nos braços. Vi gente agonizando", prosseguiu.
