Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

País

Metalúrgicos querem participação de ministérios em reunião com GM

Portal Terra

O sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos informou nesta quarta-feira à noite que na próxima sexta-feira (18), quando está agendada outra reunião com a General Motors, deverão participar representantes dos ministérios do Trabalho e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Segundo a entidade sindical, a reunião está agendada para as 9h e não há local definido.

O sindicato afirmou que a reunião de hoje com a companhia terminou “sem acordo” e que a “montadora permanece com seus planos de demitir 1.500 trabalhadores a partir de 26 de janeiro, rejeitando todas as propostas apresentadas pelo sindicato”. Segundo o sindicato, a última reunião entre as partes está marcada para o dia 23, a GM, porém, diz que a data foi alterada para o dia 22.

Ainda de acordo com a entidade sindical, amanhã os trabalhadores da GM que estão em lay-off (redução temporária do período normal de trabalho) realizam assembleia na sede da entidade pela manhã para discutir a situação dos funcionários. Os metalúrgicos defendem a continuidade da produção do Classic na fábrica de São José dos Campos, novos investimentos na fábrica e produção local de modelos que hoje são importados.

Mais cedo, o diretor de assuntos institucionais da montadora, Luiz Moan Yabiku Junior, disse que ainda espera acordo com entre a empresa e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José. “A nossa posição é exatamente a mesma quando tomamos a decisão em agosto do ano passado, acordamos com o sindicato um processo de negociação que pudesse gerar para a fábrica de São José dos Campos maior grau de competitividade e estamos procedendo essas negociações, que devem ser encerradas ainda neste mês de janeiro”, disse Moan, ao deixar audiência com o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, no Palácio do Planalto.

Moan negou que a transferência de funcionários para outras unidades de produção tenha sido cogitada pela empresa. Hoje, a planta de São José dos Campos conta com 7.500 funcionários. A principal causa para a demissão é o encerramento da produção de modelos na fábrica local.

Procurada nesta quarta-feira à noite, a assessoria de imprensa da GM informou que desde agosto - quando o acordo foi aprovado com o sindicato - não comenta publicamente o andamento do processo.

Entenda

A GM deixou de produzir três dos quatros modelos que eram fabricados em São José dos Campos: Corsa Hatch, Meriva e Zafira, apenas foram mantidas as atividades em relação ao Classic. No entanto, a montadora anunciou a redução da produção do modelo para 80 unidades por dia, ante produção anterior de 350 veículos ao dia. A empresa, contudo, informou ter aumentado a produção da pick-up S10, no complexo industrial.

Em outubro, os metalúrgicos do complexo conseguiram prorrogar com a montadora, do final de novembro para o fim de janeiro, a suspensão de um plano de demissões na unidade. Com o acordo, o período de suspensão de contrato de trabalho de 824 trabalhadores da linha de montagem foi estendido de 30 de novembro para 26 de janeiro, mesmo prazo em que a montadora concordou em continuar produzindo o sedã compacto Classic na linha, onde cerca de 900 funcionários atuam. Segundo o sindicato, a GM planeja cortar, ao todo, 1.840 trabalhadores da linha, que fabricava modelos antigos que acabaram sendo substituídos por veículos mais novos que estão sendo produzidos em outras fábricas da empresa no País. O sindicato diz ainda que a GM mantém intenção de transferir a produção do Classic para fábrica na Argentina.

Com base em estudos feitos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, o sindicato da categoria informou que a GM já cortou 1.189 vagas, entre julho de 2011 e junho de 2012 e que só na unidade de São José dos Campos foram eliminados 1.044 postos.

 

Tags: brasil, fábrica, gm, país, paulo, são

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